Em um programa televisivo de entrevistas, o presidente norte-americano Barack Obama referiu-se ao seu desempenho em determinado esporte como sendo um resultado digno de atletas especiais. Ao final do programa, percebendo que fora ofensivo, telefonou para um dirige te de esportes para pessoas portadores de deficiências e pediu desculpas. O dirigente achou apropriado o pedido e o aceitou. Como “palavra de rei não volta atrás”, o gesto de Obama foi considerado muito especial, por sua raridade. Não é mesmo comum que uma pessoa em sua posição peça desculpas. Não sei também se, de fato, no íntimo, o presidente ficou constrangido, ou se quis apenas evitar o constrangimento da censura do “politicamente correto”. Talvez ele volte a dizer o mesmo numa mesa de restaurante entre amigos. Desculpar é tirar a culpa de alguém. Desculpar-se é pedir a alguém que lhe tire a culpa. Há muitas maneiras de pedir desculpas, a mais difícil é: “Desculpe o meu erro. Espero não fazer isso de novo”. Acho fraco o verbo desculpar; prefiro o perdão: “Perdoe-me pelo mal que meu erro lhe causou”. É frase para poucos, só mesmo para os bem-aventurados. Os demais tendem a esboçar palavras de desculpas, que, muitas vezes, pioram as coisas. Agora, para ajudar a quem apenas quer parecer que pediu desculpas, eis algumas frases que podem ajudar:
• Não acho que tenha errado, mas lamento muito que a minha atitude lhe tenha trazido algum dano.

• Não tive a intenção de ofender você, mas, mesmo assim, peço desculpas pelo transtorno que involuntariamente causei.

• A sua atitude não me deixou alternativa, senão reagir desse modo. Lamento muito.

• Peço desculpas não pelo que fiz, mas pela forma que fiz; como vocês sabem, eu estava sob intensa pressão e me excedi.

• Não era essa a minha intenção, mas, se magoei você, queira me desculpar.

• Errei, mas, no meu lugar, qualquer um erraria. Desculpe.
• Desculpe, mas você sabe que eu sou assim. A lista pode ser interminável, porque, em matéria de auto-engano, não há quem supere o ser humano. Todas essas desculpas se resumem a uma frase que não foi dita: “Na verdade, a culpa é sua”. O que essas frases, na verdade, pretenderam dizer foi:

• Se eu não errei, mas você se ofendeu, a culpa é sua por ser assim tão sensível e sofrer sem necessidade.

• Se eu não tive a intenção, você deveria se colocar no meu lugar e ver minha boa intenção.

• Se você me forçou a agir como agi, você é quem me deve pedir desculpas.

• Se errei apenas na forma, é porque eu estava certo no essencial e você não prestou atenção.

• Se magoei você e você não deveria ficar magoado, você é quem me deve desculpas, por me fazer sentir tão mal.

• Se errei, como qualquer um erraria, não sou pior que ninguém.

• Se minha natureza falou mais alto e explodi, você deveria ser mais compreensivo e menos exigente comigo.O que fazer diante de pessoas capazes de nos atacar triplamente – nos ofendem, nos culpam e nos fazem a sentir mal por sermos tão cruéis? Manter distância. A distância deve suceder um esforço de diálogo pedagógico, no afã de mostrar a impropriedade ofensiva dos falsos pedidos de desculpas. A distância deve ser acompanhada da observação participante e mesmo da expectativa honesta de que haverá mudança. No entanto, para alguns, isso não é cristianismo sincero. O perdão é a atitude correta a se tomar quando cometemos um erro. “Perdoe-me” são as palavras certas a se dizer. Perdoar é mais que desculpar, vai além de tirar a culpa de alguém. Quando perdoamos alguém, tiramos a culpa da pessoa e a assumimos para nós, com o compromisso de não mais nos lembrarmos do ocorrido. O sacrifício de Jesus na cruz foi a maior prova de amor que qualquer pessoa poderia receber. Através da morte do seu único filho, Deus nos concedeu perdão por todos os nossos pecados. Ao aceitarmos esse sacrifício, com sincero arrependimento por nossas iniqüidades, Deus nos concede perdão e apaga de sua memória nossas faltas para sempre. Somos desafiados a fazer o mesmo em nossos relacionamentos.
Israel Belo de Azevedo