O uso do termo família cristã, adjetivando o tema família, é assaz necessário, haja vista que simplesmente a palavra “família” é genérica: em nossos dias uma relação homoafetiva se enquadra dentro da definição de família na sociedade em que vivemos. Família, para muitos, pode ser composta de um casal do mesmo sexo, que tenha um relacionamento estável e cria e educa filhos.

Devido ao forte ataque cultural da sociedade pós-moderna, muitos adolescentes, juniores e crianças estão crescendo com o pensamento antibíblico do que seja família. Entram em confusão sobre o assunto porque a Bíblia ensina algo e a escola, a televisão e toda a mídia propagam o contrário. Há em boa parte das igrejas adolescentes e jovens praticando, vivendo ou apoiando relacionamentos homoafetivos. Quantos filhos e filhas, netos e netas de cristãos exemplares e fervorosos estão a vivenciar o que a cultura decorrente da pós-modernidade lhes apresenta! O que as nossas igrejas têm feito a esse respeito? Que programas e intervenções podem ser feitos para pessoas que participam em nossas igrejas e têm esse tipo de comportamento? A ocorrência de casos de homoafetividade no meio evangélico e também batista é muito maior do que se possa imaginar.

Em primeiro lugar, é mister não condenar a pessoa, não ser preconceituoso, não atirar a primeira pedra. Deus ama a pessoa, a igreja também precisa amá-la e ajudá-la em suas vicissitudes. Não sejamos homofóbicos, mesmo que alguns dentre eles sejam “igrejofóbicos”.

Em segundo lugar, é assaz fundamental que desenvolvamos ministérios profícuos de família. Devem-se estabelecer ênfases efetivas no ministério familiar, não da família concebida, definida e descrita pela sociedade atual, mas da família bíblica, com suas funções, propriedades e papéis dados pelo próprio Deus. A ênfase evangélica demasiada em uma pregação que ressalta a relação do indivíduo independente com Deus acaba isolando os relacionamentos com o próximo e com os próprios familiares. O papel de pai e mãe precisa ser revisto e restaurado como ministérios formidáveis. A Igreja é totalmente responsável por conscientizar e ajudar os pais a criarem um ambiente saudável para o crescimento dos filhos, exercendo a disciplina bíblica e o amor indizível de Deus no lar.

Em terceiro lugar, é mister que se trate com maior e melhor argumentação sobre a questão da homoafetividade. É essencial conscientizar o povo de Deus da realidade e do perigo que não está apenas ao nosso redor, mas já está inserido, plantado pelo diabo e enclausurado pelas hostes infernais dentro dos nossos próprios arraiais, trazendo tristeza e aflição para pais e avós que sempre foram fiéis ao Senhor.

Em quarto lugar, é fundamental que haja nas igrejas um ambiente propício para a manifestação da masculinidade do macho e da feminilidade da fêmea, para que a igreja não seja palco de pessoas “neutras”, como na sociedade em que vivemos. Jazemos em uma cultura do neutro à semelhança da antiga cultura grega, em que se acreditava não haver diferença de princípio ou linha divisória entre homens e mulheres e que nada era exclusivamente atraente para um sexo ou repelente para o outro. Há ênfase exacerbada naquilo que é igual no homem e na mulher, e repudia-se qualquer coisa que seja “só de homem” ou “só de mulher”. E quando alguém começa a falar nestas linhas divisórias é visto como preconceituoso.

A afirmação da identidade sexual de um menino ou menina tem a ver com o fato de fazerem certas coisas específicas de seu sexo. Por isso a igreja deve entender que não possui apenas pessoas, indivíduos, mas sim, homens e mulheres. Enfatizar com agudez as diferenças traz problemas (feminismo e machismo), mas enfatizar exacerbadamente o campo da intersecção também traz e trará problemas. Se não houver um ambiente propício para a maior manifestação de masculinidade entre os homens e maior feminilidade entre as mulheres, a igreja vai se tornar cada vez mais neutra e, por conseguinte, pode haver um forte crescimento de homoafetividade tanto masculina quanto feminina entre os adolescentes e jovens das igrejas.

Outrossim, vive-se uma época em que criança tornou-se sinônimo de trabalho e extremo cansaço. Em consequência disso, os filhos são deixados em creches com qualquer pessoa desconhecida ou com algum parente próximo. Com isso, aumenta-se o número de crianças que têm sido abusadas sexualmente. Experiências desse tipo têm consequências tremendas para uma futura homoafetividade.

Até o momento falou-se de questões preventivas. Mas e quando o problema já está instalado? O que fazer? Tem havido estudos e programas de terapias de reorientação sexual, as quais funcionam razoavelmente para mudar a orientação sexual de uma pessoa. Essas “terapias” têm sido controversas devido às tensões entre as organizações com base religiosa que as realizam e as organizações profissionais, científicas e de direitos de grupos GLS.

Embora haja certo consenso entre as ciências comportamentais e sociais e as profissões de saúde de que a homoafetividade é uma variação normal e positiva da sexualidade humana, alguns psicólogos cristãos e grupos evangélicos têm aceitado e defendido corretamente a ideia bíblica de que a homossexualidade é um sintoma de problemas espirituais, de desenvolvimento ou de falhas morais.  E têm argumentado que os esforços para mudar a orientação sexual, incluindo a psicoterapia e os exercícios espirituais, podem e têm alterado os sentimentos e comportamentos homoafetivos.

Muitos desses indivíduos e grupos são incorporados dentro de um contexto eclesiástico que apóia a mudança da homoafetividade para um comportamento heterossexual por motivos bíblicos, a partir de textos exarados nas Escrituras Sagradas. No entanto, é preciso salientar algumas questões:

  1. Soluções instantâneas dificilmente ocorrerão. É mister paciência e trabalho árduo, como no tratamento aos drogaditos, paciência que igrejas e pastores não têm. Querem resultados imediatos.
  2. O conselheiro espiritual deve levar o aconselhando a ter esperança de mudança. Não se deve permitir uma postura do tipo “eu nasci assim e sou assim mesmo”. O aconselhando deve reconhecer que a reação precisa partir conscientemente dele. Se ele errar, vamos começar de novo e de novo até a mudança total.
  3. O aconselhando deve saber que suas tendências e práticas passadas o farão viver em constante luta. Ele precisa saber que terá que trilhar um caminho de volta, que será difícil, mas vitorioso, como temos visto em inúmeros casos.
  4. A questão é que a igreja, cuja única regra de prática e fé é a Bíblia, deve colocar a questão de forma clara: relacionamentos homoafetivos são tratados na Bíblia como sendo pecaminosos. Se atenuarmos a realidade do pecado não se cura o problema. Em verdade vos digo: atualmente não se prega quase mais sobre qualquer pecado. Sermões parecem mais apenas discursos de cura interior e não pregações veementes contra o pecado seja ele qual for. É verdade: estamos chegando perto da grande apostasia da Igreja proclamada nas Escrituras.
  5. Em alguns casos pode haver um componente espiritual demoníaco. Se a questão for de demônios, estes devem ser expulsos em nome de Jesus, para que haja a libertação da pessoa.
  6. Por fim, é necessário que haja a necessidade de amor. Os homoafetivos, como quaisquer heteroafetivos, estão procurando ser amados. Mas a busca homoafetiva se manifesta em uma forma de amor inapropriada e contra a natureza, portanto nunca satisfatória. O homoafetivo precisa ver, sentir e reconhecer que Deus e a Igreja Cristã, apesar de não aceitarem o seu pecado, amam-no profundamente e querem ajudá-lo. É preciso criar um contexto em que o aconselhando possa ser tratado com afeto masculino normal, sendo tratado como homem, caso seja homem, e tratado com afeto feminino normal, sendo tratada como mulher, caso seja mulher.

Acima de tudo, cristãos genuínos, saídos de tal contexto de vida não serão automaticamente libertos dos problemas inerentes a tal prática. Há sentimentos de culpa, incapacidade de confiar,  ansiedade e a mentira como problemas crônicos e generalizados, resultantes de envolvimentos homoafetivos prolongados. Ainda que convicta da natureza antibíblica do estilo de vida homoafetivo, a igreja não pode negar sua ajuda aos que sinceramente a busquem, especialmente aos que afirmam ter confiado em Jesus Cristo como Senhor.

Há poucas estatísticas sobre a porcentagem de cura de homoafetivos tratados por igrejas cristãs, mas mesmo que elas surjam e os números não satisfaçam as expectativas, a Igreja não pode deixar de fazer a sua parte. Ela deve trabalhar para a transformação da sociedade e dos seus valores, ainda que uma avalanche cultural nos diga o contrário. Nossa força de contra-atacar não são as pedras atiradas contra alguém, nem o preconceito; se nossas mãos estão lançando pedras, devemos trocar de atitude, estender as mãos com afeto, com amor e com carinho àqueles que querem mudança de vida. Em Jesus há  esmagadora possibilidade total, inconteste e irretorquível para transformar a qualquer um que procurá-lo com sinceridade e ternura no coração.

por Jaziel G Martins

Pastor e Diretor da FTBP