Nesses últimos tempos, há toda hora, recebemos uma notificação em nosso celular de que uma Live vai começar. Eu até tenho participado de algumas, como convidado, para falar sobre família.

Nesses tempos de pandemia, as redes sociais têm aproximado as pessoas, de forma virtual.

Nessas Lives, muitos me perguntam sobre os impactos da pandemia sobre a família. Tudo o que podemos falar agora são apenas sugestões do que pode impactar, de verdade as famílias. Dados concretos mesmos, comprovadamente de forma científica, só mesmo daqui alguns anos.

Tenho dito, quando sou perguntado, que a pandemia fez com que o foco das nossas atenções fosse canalizado para as casas, para as famílias. No que tange aos aspectos religiosos, especialmente no meio evangélico, o foco estava muito nos templos, na reunião coletiva dos crentes, inclusive em pequenos grupos. Mas agora, nesse tempo, a casa, o ambiente familiar passou a ser protagonista. Isso é bom porque está dando equilíbrio saudável nessas duas balanças: templo e casas.

Um outro tema que tenho falado é quanto ao legado que pandemia poderá deixar para as famílias.

Se essa pandemia deixar um rastro de redescoberta de algumas práticas que até então estavam esquecidas, como, por exemplo, o culto familiar, as brincadeiras entre pais e filhos, a ajuda de todos os membros da família para fazerem coisas, como faxina, preparar refeições, isso será muito bom. Por outro lado, há os aspectos negativos, como um possível aumento dos casos de violência doméstica.

Tenho dito que se na família, ou no casamento, as relações estavam saudáveis antes da pandemia, tudo leva a crer que esse período não terá muitas consequências negativas para essas famílias. Mas, se antes da pandemia, já havia sinais de doenças nos relacionamentos, com certeza o confinamento ou isolamento só irá se intensificar e causar maiores danos na sua estrutura.Mas, o que me preocupa mesmo, é o pós-pandemia, no que tange aos aspectos financeiros. As previsões nessa área não são boas.

Experiências de depressão financeira, em um país, demonstraram que a tendência do aumento do número de divórcio é real. Há um mês, alguns sites de notícias deram a informação de que

os cartórios chineses perceberam movimentação nesse sentido. Não podemos nos firmar nessas notícias, mas todos os países que passaram por depressão financeira, constataram um aumento de desenlace conjugal. Por isso, como Igrejas, devemos estar atentos ao que pode acontecer na sociedade, que inclui casais cristãos, com certeza.

No mais, é aguardar o período passar e ver que marcas a pandemia está deixando nas famílias hoje. Marcas boas e não tão boas. Mas, enquanto estamos atravessando essa crise sanitária, procuremos crescer na fé em Deus, praticar tolerância, a paciência na família.

Que pais e filhos brinquem mais. Que cultos familiares sejam realizados. Que todos se envolvam na faxina. Que almocem mais juntos.

Por Gilson Bifano, diretor do Ministério OIKOS – Ministério Cristão de Apoio à Família. Escritor e conferencista na área de família.

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