Em Marcos 12.28-34, quando Jesus indica os dois grandes mandamentos como sendo amar a Deus e amar ao próximo, um escriba judeu concorda com ele. No texto de Lucas 10.25-29, bastante parecido, é o próprio mestre da Lei que apresenta estes dois mandamentos como os maiores e Jesus que concorda com ele. Tal resumo da Lei em dois mandamentos, portanto, não era nenhuma novidade: era algo bem conhecido e reconhecido pelos judeus, ao ponto do teólogo E. P. Sanders afirmar que “nenhum judeu inteligente teria discordado, e muitos teriam dado precisamente a mesma resposta” que Jesus.

             Antes de Jesus ter resumido a Lei aos mandamentos de amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo, Hillel, um mestre fariseu, já havia indicado que toda a Lei se resumia a “não fazer o mal que não se deseja a si mesmo”. De modo bastante ousado, Hillel declarou a um gentio que desejava se tornar judeu que toda a Lei poderia ser resumida a este princípio: “Tudo o que te parece nocivo a ti, não o faças a outrem; isto é toda a Torá. Todo o resto não passa de comentário. Vai e aprende”. Ou seja, segundo o mestre fariseu, toda a Lei se resume ao princípio denominado “regra de ouro”, segundo o qual não se deve fazer o mal ao próximo que não se deseja a si mesmo.

            Havia, porém, uma diferença marcante entre a proposta de Jesus e a proposta farisaica de amor ao próximo. Para os fariseus, o “amor ao próximo” ordenado em Levítico (19.18,34) deveria ser compreendido como não se fazer o mal ao próximo. Para Jesus, porém, este amor vai para além do evitar o mal, devendo ser uma prática ativa: não basta deixar de fazer o mal – é necessário também fazermos o bem! E, para quem se deve praticar o bem, demonstrando amor? Para todos! Eis outra diferença para com os fariseus e o judaísmo de seu tempo. É por isso que Jesus não afirma somente para não fazermos o mal, mas também para fazermos o bem. O mandamento “ama a teu próximo como a ti mesmo”, portanto, não deve ser um simples respeito pelo próximo, mas uma prática ativa e viva que reflita o amor de Deus por nós.

(continua…)


Por, Willibaldo Ruppenthal Neto
Colunista Voluntário – CBP

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