A parábola do filho pródigo, como é conhecido o texto de Lucas 15.28-32, fala de dois irmãos que resolveram viver alienados do Pai. O mais novo abandonou o lar para viver num lugar distante fazendo o que bem entendesse, sem ter que dar a menor satisfação à família. O filho mais velho ficou em casa, morando com os pais, mas tão alienado quanto o que partiu.
Vamos nos concentrar no irmão mais velho, para verificarmos nele algumas atitudes que podem impedir a alegria e a afetividade no lar. Comecemos com um dos grandes ensinamentos deste texto: estar perto não quer dizer que estar junto. Estar na mesma casa, debaixo do mesmo teto, nem sempre se traduz em afetividade para com os familiares (antes de dar continui- dade, sugerimos a leitura atenta de Lucas 15.28-31).
- Impedimos a alegria e a afetividade no lar quando colocamos as coisas que queremos e os planos que estabelecemos acima das pessoas com as quais con- vivemos. (Lc 15.29) – O grande problema do filho mais velho é que seu maior desejo na vida não era um rela- cionamento de amor com o pai. Mas a riqueza que este possuía e os bens que poderia lhe proporcionar. Muitos lares estão sentido a dor do desprezo, abandono, insensibilidade e da falta de solidariedade humana por parte de familiares que resolveram dar mais importân- cia às coisas, projetos e satisfação pessoal do que às pessoas que vivem em sua casa. Pessoas assim são incapazes de celebrar a vitória dos outros. Seus inte- resses pessoais estão sempre acima de qualquer coisa ou pessoa. Isso é um tormento na vida de uma família porque, enquanto todos se alegram, ele resmunga e murmura.
- Impedimos a alegria e afetividade no lar ao reagirmos com ira quando as coisas não funcionam do jeito que achamos que deveria funcionar. (Lc 15.28). Há pessoas que vivem em função das circunstâncias da vida. Só conseguem experimentar a felicidade e a paz quando tudo lhe é favorável e as coisas caminham do seu jeito. Não são capazes de enxergar os propósitos de Deus, nem as maravilhas do Seu poder em sua vida, muito menos na vida dos outros. Vivem para si. Esquecem que ser cristão é optar pela renúncia, por um estilo de vida de servo, onde o desejo de abençoar é maior do que o de ser abençoado.
- Impedimos a alegria e a afetividade no lar quando nos julgamos superiores aos outros. (Lc 15.30) – O irmão mais velho se julgava superior ao mais novo. Tanto que, ao mencioná-lo no diálogo com o pai, não foi capaz de chamá-lo de irmão, referindo-se a ele como “esse teu filho” (v.30), num tom de absoluto desprezo e superioridade. Quantos lares estão sofrendo porque pais estão olhando os filhos de cima para baixo? Quantos cônjuges adoram dizer que o outro está sempre errado? Quantos filhos desdenham dos pais, não lhes dando o devido valor e respeito?
O grande problema para quem se julga superior ao outro é se achar incapaz de fazer o que o outro fez, e por isso não consegue perdoar. E onde não há perdão não há alegria, nem afetividade. Perdoar alguém que julgamos inferior é uma tarefa quase impossível.
Que as nossas atitudes sejam para promover a alegria e expressar afetividade. Deus deseja que nossos lares tenham vigor espiritual que traduza afetividade. Não basta ser afetivo com Deus quando se é frio em casa. Espiritualidade sem afetividade é um paradoxo.

PR. VALDO FONSECA DE OLIVEIRA
Presidente do Conselho de Missões da CBP