O amor cristão, expresso na entrega de Jesus pelo Deus pai, é um amor prático e de entrega, que o cristão pode e deve viver pelo que chama de “caridade”. Se, por um lado, o que os cristãos entendiam pelo termo grego ágape e pelo termo latino caritas está um tanto quanto distante do que compreendemos hoje por “caridade”, por outro lado nossa compreensão mantém também certa semelhança com a ideia original.  O termo latino caritas, por exemplo, significava para os cristãos as obras de “caridade”, ou seja, de doação aos menos favorecidos, porém, vai para muito além: sendo proveniente do termo cārus, “precioso”, “caro”, deixa claro o princípio cristão de que a caridade é algo não somente precioso, mas também que deve custar algo para aquele que a pratica.

Deste modo, a ideia atual de “caridade”, no qual entregamos aquilo que está nos sobrando e que não vai nos fazer nenhuma falta – como moedas esquecidas no fundo dos bolsos ou restos de alimentos doados a pedintes –, possui certa relação com a ideia original, mas de modo algum a realiza integralmente. No sentido original, a “caridade” é a entrega de algo precioso, refletindo o amor de Deus ao próximo. Afinal, da mesma forma que Deus entregou o que tinha de mais precioso – seu próprio filho! – por amor a nós, também nós, inversamente, devemos refletir este amor entregando o que temos, e valorizamos, como expressão de amor ao próximo.

Por outro lado, mesmo que venhamos a doar altas quantias ou coisas dispendiosas, também poderemos não estar praticando a verdadeira “caridade” cristã. Afinal, o valor de nossa caridade dependerá do propósito da nossa ação: se a realizamos por amor ao próximo ou por amor a nós mesmos, como no intuito de recebermos algum reconhecimento ou bênção divina. Particularmente, uma expressão sincera de caridade que pude ver há pouco tempo foi quando uma criança, por genuíno amor cristão, entregou um valioso brinquedo seu de presente a um bebê recém-nascido, a fim de que aquele brinquedo se tornasse instrumento de alegria para o bebê tal como foi para ela. No seu amor pelo brinquedo ficou claro o amor pelo bebê, concretizado na entrega.


O amor cristão, expresso na entrega de Jesus pelo Deus pai, é um amor prático e de entrega, que o cristão pode e deve viver pelo que chama de “caridade”.


(Continuação do artigo AMAR AO PRÓXIMO)
Por, Willibaldo Ruppenthal Neto
Colunista Voluntário – CBP

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