Sem relevar as coisas hoje em dia, dificilmente damos algum passo. Embora estejamos reféns de uma generalizada arrogância, causada quase sempre por posses e bens materiais ou até pela tecnologia, costumeiramente somos levados a abrir mão de determinados direitos ou condições, para que tenhamos a oportunidade de prosseguir sem entrar em conflito com o próximo, eventualmente com algum colega ou amigo, e/ou até mesmo com familiares e irmãos da Igreja. Somos obrigados a suportar, a aceitar, ou como, popularmente conhecemos, “engolir sapo” para não entrar em confronto com ninguém. Em determinadas situações, não é apenas permitido ser contrariado. Muitas vezes, somos vítimas de gigantescas injustiças e ofensas gratuitas e nem revidamos. No histórico de fatos assim, sempre se questiona: Qual é o proveito que terei insistindo que tenho razão? A verdade é uma só: Sem “engolir alguns sapos” a coisa não anda. Você pode até não digerir o “sapo” inteiro, mas esse ou aquele girino, ah!, não tem escapatória. Todos, em determinados momentos da vida, tiveram que degustar. Em casos esporádicos, não apenas o sapo é engolido. O brejo ou até a lagoa inteira é consumida de uma só vez. Tudo depende do nível da nossa permissividade ou do interesse que a situação envolva. É a mais pura verdade. “Engolir sapo” é algo similar, talvez, seja o “primo” mais sábio do tão conhecido “bullying ”, que tem incomodado tanta gente, principalmente as crianças de escolas. É possível que você já tenha sido perturbado por alguém que lhe pôs algum apelido desmoralizante em função de algo que você tenha vivido, não é mesmo? E para evitar conversa, você tenha ficado quieto. É possível que tenha passado por brincadeiras bem ofensivas e tenha-se caado. É provável que já viveualgo triste, alguma questão familiar séria e algum parente ou “desavisado” tenha lhe dito palavras de deboche. Aí você engoliu a seco. Talvez, leitor, você tenha até passado por um “mal entendido”, sido xingado em público, e tenha ficado mudo para evitar confusão. Talvez tenha recebido alguma resposta “atravessada” e tenha aguentado insulto. Quem nunca viu isso?!

A gente pode espernear, gritar, mas essa situação é mais comum do que imaginamos. Atualmente, na política brasileira, estamos engolindo uma “lagoa de sapos e de lama” que não é mole não, parafraseando o que aconteceu em Minas Gerais. O trabalhador está se vendo doido com a inflação, as tarifas públicas e os altos impostos para sustentar a roubalheira generalizada. São muitos sapos ladrões por metro quadrado. É um desaforo atrás do outro. “Tem mais! Eu quero mais!”, é o que se ouve por aí. Instalou-se no país a filosofia do quanto pior, bem melhor para quem rouba. Com inflação, o governo tira dinheiro de maneira mais fácil do povo. Assim, uma assombrosa tragédia aproxima-se. Aos cristãos, convém abrir mão de algumas prerrogativas. Engolir sapos são exímias provações que o Criador coloca no nosso caminho para nos transformar em algo melhor. Ainda que haja protestos é salutar fingir em certas ocasiões para que se evite um mal maior. Agora, o que não se pode é compactuar com pessoas que tripudiam em cima da gente, aproveitando-se da “nossa nobreza”,achando que isso não tem limite. Dar a outra face é uma orientação explícita de Jesus em Mateus 5.39. Porém, não quer dizer que devamos agir como tolos. Nunca ouvi nenhuma pregação ou sermão que dissesse para passarmos por bobos. Creio que a explicação melhor é para que nós não paguemos o erro com a mesma moeda. Mesmo diante de uma contrariedade, de uma decepção, nós devemos insistir em retribuir com o bem distante de não aconselhar convenientemente quem esteja apreciando estas linhas, a verdade é que, em casos específicos, “chutar o balde” é inevitável. Depois de três, quatro ou cinco avisos acompanhados por uma amorosa argumentação, não há outra saída. Ou você corta a relação ou questão pela raiz, ou vai ser tido realmente como palerma. A Bíblia não nos instrui desta maneira. Um exemplo: Tem um sujeito que eu encontro na Rodoviária de Presidente Venceslau quase todos os dias, pedindo dinheiro “para completar uma passagem”. Casos assim apontam que a grana é para cachaça ou droga. Somente vícios proporcionam gestos tão rasteiros. As circunstâncias ora relacionadas estão por todos os lugares. Acarretam, por vezes, até grandes humilhações. Ocorrem dentro da família e até nas Igrejas. Sendo possível, em futuro oportuno, voltarei ao assunto. Aguardem. Fiquem na Paz no Senhor!
Paulo Francis Jr.,
colaborador de OJB
Siga a CBP!