Em 609 a.C, Jeoaquim foi coroado rei de Judá. Três anos depois, seu reinado chega ao fim, derrotado por Nabucodonosor, rei da Babilônia. Mas, por que Jeoaquim governou tão pouco? De fato, Jeoaquim foi um péssimo rei por vários motivos. Derramou muito sangue inocente (II Reis 24.4), inclusive de um profeta (Jeremias 26.20); fez construções reais às custas de trabalho forçado (Jeremias 22.13-17); se opôs ao profeta Jeremias (Jeremias 36.26). Mas a decisão que determinou o fim daquele reinado veio de Deus (Daniel 1.2). Infelizmente, temos tanto potencial de maldade quanto Jeoaquim, e nem precisamos usar coroa. Ninguém precisa ser nomeado, nem coroado para cometer absurdos. Para exalar a maldade do coração, basta abrir a boca (Tiago 3.10) ou amar o dinheiro (Tiago 5.3- 4). Os abusos de Jeoaquim também são de todos nós. Erramos quando ignoramos o conselho de Deus (Deuteronômio17.18-20). O pecado de Jeoaquim prejudicou a muitos, inclusive Daniel, que foi deportado como prisioneiro para a Babilônia. Daniel não morreu, mas foi marcado pela derrota. Daniel fazia parte de uma nação derrotada. Era mais um prisioneiro servindo aos interesses de um rei pagão. Daniel é o exemplar perfeito de alguém que podia viver “curtindo o seu fracasso”, amargando a derrota nacional e pessoal. Mas o juízo Divino contra o rei Joaquim não incluía desgraçar a vida de Daniel. Deus tinha outros planos para ele. Na Babilônia, Daniel e seus amigos se destacaram pelo incrível dom de sabedoria que receberam de Deus. Após vencerem as dificuldades iniciais (Daniel 1.4), eles foram submetidos a testes maiores. A conquista de Daniel é exemplo para todos que decretam a própria derrota, quando afirmam para si mesmas que são incapazes. Muitos vivem derrotados pelas próprias convicções erradas. Nem sempre é a condição física que atrapalha, mas a apatia da mente que derrota até o melhor atleta. Daniel foi levado ao palácio e, para glorificar a Deus, precisou de muita humildade e diálogo para convencer Aspenaz a vencer o medo de mudar regras antigas, que pareciam impossíveis de serem alteradas (Daniel 1.8, 9,10,12,15). A decisão de Deus para Daniel era excelente, mas a grandeza do propósito Divino se revelou aos poucos, pela fé e com dificuldades. A manifestação da Glória de Deus em nós se desenvolve aos poucos. A decisão de Deus não é uma ditadura (I Pedro 5.4). Deus sabe como é difícil fazer alguém mudar o jeito de pensar, e aceitar se comprometer com a Verdade (João 14.6). A história confirma que a decisão Divina de capacitar Daniel e seus amigos com “Sabedoria e inteligência para conhecerem todos os aspectos da cultura e da ciência” (Dn 1.17), não foi em vão, pois eles glorificaram a Deus. Sempre existirão “fornalhas e covas” para enfrentar, e pode ser que nem sempre Deus queira nos livrar. Mesmo assim, nunca se envergonhe do Evangelho, mas tenha a certeza de que Deus é poderoso para guardar o nosso tesouro até o dia final (II Timóteo 1.12).
Vilmar Paulichen