Um nobre colega e amigo perguntou-me se a Igreja tinha um departamento de evangelismo. Para assombro dele, disse-lhe que não. “Mas quem vai evangelizar o bairro, os vizinhos, os colegas de trabalho e de estudo, os parentes dos membros da Igreja?”, perguntou. Um departamento de evangelismo jamais conseguirá realizar tão árdua missão. Razão simples, jamais conseguiria adentrar a uma sala de aula frequentada por um membro da Igreja. Ninguém conseguiria alcançar um parente meu, que reside em outro estado. Os meus vizinhos jamais abrirão as portas dos seus lares para um desconhecido, mesmo que este desconhecido seja o líder do departamento de evangelismo da Igreja. Cabe a mim como testemunha de Cristo testificar o poder do Evangelho, com atos práticos que levem o pecador a conhecer o Jesus que eu conheço. Isso significa dizer que cada membro da Igreja é um evangelista e missionário onde se encontra. A vida diária de cada um promoverá a evangelização do bairro e o crescimento da Igreja. A obra de evangelização é tarefa de todos os salvos e não de um pequeno grupo, com o rótulo de departamento de evangelismo. Claro está, e todos sabem disto, que há membros da Igreja cujo testemunho denigre o Evangelho de Cristo. Afastam os pecadores de um encontro verdadeiro com Cristo, como Salvador e Senhor.

Colocam a Igreja em situação desconfortante e desacreditada na sociedade. São salvos que esperam que os outros cumpram o Ide de Jesus e a Missão que o Mestre delegou a todos os salvos. São salvos que nunca experimentaram a alegria de ver vidas transformadas pelo poder do Evangelho. Não se alegram em compartilhar o que receberam do Senhor. O inimigo das nossas almas sabe que o testemunho negativo do salvo possui poder demolidor e impede o avanço do evangelismo. Um estudante que não se comporta como salvo em uma sala de aula jamais atrairá os colegas a Cristo. Quando não há diferença, nos igualamos com o que de pior existe ao nosso redor. Um casal que vive às

turras, sempre brigando, não levará os filhos a crer em Cristo. Esta é a razão porque há tantos filhos de salvos afastados da Igreja, perdidos e envoltos no pecado. Não adianta pedir que a Igreja ore pelos filhos afastados. O testemunho dos pais foi usado por Satanás para arrebanhar a família para o inferno. O salvo que não cumpre as suas obrigações onde trabalha, jamais despertará nos colegas de profissão interesse pelo Evangelho. A Igreja que não consegue superar as picuinhas que maculam o bom relacionamento entre os salvos, nunca será um lugar acolhedor para os perdidos. O ambiente de amor e compreensão mútuos serve como ímã a atrair vidas a Cristo. Assim foi no início do cristianis

mo e assim continuará a ser até o dia da volta de Cristo. Você, meu querido irmão, é um evangelista por vocação divina, por necessidade em cumprir a ordem de Jesus. Evangelista por desafio ao ver nossa sociedade tão submissa à violência e à imoralidade. Cabe a você e a mim sermos testemunhas de Jesus. Anunciar o Seu amor aos pecadores que clamam por paz. Não temos ninguém comissionado ou encarregado de promover o avanço do Reino de Deus. Aplicam-se a esta realidade as palavras de Deus a Ezequiel “Te dei por atalaia…” (Ez 3.17-18), acopladas às Palavras de Jesus, em Atos: “…Ser-me-eis testemunhas” (At 1.8). Você é uma testemunha de Jesus, um evangelista por natureza.
Julio Oliveira Santos
O Jornal Batista