Quando se pensa na desigualdade de nosso país, muitas pessoas logo apontam os culpados: empresários, pelo seu espírito capitalista; políticos, pela recorrente corrupção; e assim por diante. Porém, muitas vezes esquecemos que, infelizmente, toda nossa sociedade está contaminada por algo muito mais profundo, que é justamente a origem dos problemas normalmente indicados: o egoísmo.

Se, por um lado, a avareza, ou seja, o “amor pelo dinheiro”, é “a raiz de toda espécie de males” (1 Tm 6.10), quanto mais o egoísmo, que é sua origem. Não é à toa que, para além da questão financeira, vemos o egoísmo afetando, em nossa sociedade, as várias relações humanas: destrói amizades, famílias e até mesmo igrejas. Porém, como podemos vencer o egoísmo? Sendo o egoísmo uma das “obras da carne” (Gl 5.19-21), devemos combate-lo com um dos elementos do “fruto do espírito” (Gl 5.22-23): o amor!

Esquecemos muitas vezes de ver ao próximo pelos olhos do amor de Deus, amando ao próximo, de fato, como a nós mesmos. Afinal, quando vemos o outro como nós, em mesmo valor, reconheceremos que suprir a necessidade do outro vale mais que a nossa ostentação. Esquecemos que muitos deixam de ter pão para poucos poderem beber vinho – muitos vivem na miséria para que alguns desfrutem de uma vida de luxo.

Também, vendo ao próximo pelos olhos do amor, reconheceremos que a luta contra a desigualdade social, antes de ser tarefa do Estado, é tarefa da Igreja. Esquecemos a proclamação de João Batista, de que quem tem duas capas deve dar uma a quem não tem. Esquecemos que antes de ser tarefa do Estado, foi tarefa da Igreja cuidar dos órfãos, das viúvas, e até mesmo dos doentes, quando estes eram rejeitados por todos. Este cuidado é, inclusive, segundo Tiago (1.27), a “verdadeira religião”.

Esquecemos, como disse Basílio de Cesaréia, que “o pão que guardas é pão do faminto, a túnica que conservas é de quem está nu, o dinheiro que possuis é do indigente. E assim, tudo o que poderias ostentar são outras tantas injúrias feitas a outros”. Nossos luxos e ostentações, portanto, devem ser vistas da forma correta: não são somente caprichos, mas são ofensas àqueles que não tem.

Afinal, se o egoísmo nasce de um medo de não termos aquilo que precisamos, ele se desenvolve e se torna na avareza, ostentação e inveja, que são o amor àquilo que não precisamos e o desejo de tudo aquilo que ainda não temos.


Quando isto acontece, precisamos pensar não somente que tipo de amor estamos vivendo, mas também a quem realmente estamos amando.


(continua…)
Por, Willibaldo Ruppenthal Neto
Colunista Voluntário – CBP

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