Atitudes em Família



Quero aproveitar a ênfase dada nesta revista sobre a família, para lembrar alguns tipos de relacionamentos e atitudes dentro da família de Deus. Estarei usando a parábola do filho pródigo como ilustração de tais atitudes. Começando pelo irmão mais velho, destaco algumas atitudes como: Arrogância, vaidade e ressentimento. Ele foi arrogante quando confrontou o pai, alegando ser um bom cumpridor das ordens e regras, era ao meu ver um bom religioso. Nem por isso tinha direito diante do seu pai, mas exigiu destes diante do amor perdoador do pai ao filho mais velho. Hoje, temos muito dessa atitude dentro da casa do pai, a igreja, gente que se julga superior aos demais no relacionamento eclesiástico, ou colocando-se diante de Deus como merecedor de bênçãos, ao ponto de requerê-las.

Foi vaidoso, ao afirmar que servia ao pai como um escravo, que produzia muito para o bem de sua família e fez questão de lembrar isso, antes de requerer o cabrito para fazer uma festa. Encontramos a vaidade dentre nós, família de Deus, quando vemos gente se auto elogiando, contando vantagens pessoais, trasvestidas de frases como: “Deus está fazendo... Deus me abençoou...” e outras, com o propósito de contar suas proezas, suas mesmo! Porque Deus não anda com vaidosos. No ministério, encontramos os contadores de vantagens onde números são exaltados, procurando causar uma leve inveja nos colegas de ministério. Muito marketing e depois, pouca consistência. Existe uma leve diferença entre o encorajamento ao contar as vitórias alcançadas e o exibicionismo pessoal. Precisamos atentar muito para isso. O ressentimento na família é exemplificado na história na pessoa do irmão mais velho, ao demonstrar sua indignação com a atitude amorosa do pai em perdoar o mais novo. Ele estava completamente transtornado pelo fato de o pai matar o bezerro gordo para a festa de recepção do mais novo e despejou uma torrente irada de acusações contra o pai e o seu irmão. O ressentimento na família de Deus tem prejudicado muito nos relacionamentos, é preciso entendimento, perdão e aceitação entre os irmãos. O Filho mais velho deveria ter ido para a festa. No irmão mais novo, vejo atitudes negativas ao afastar-se do pai, porém quando faliu, em todos os sentidos, ele teve atitudes corajosas, como reconhecer que errou, ser humildade, pedir perdão e arriscar ser rejeitado. Na casa de Deus, hoje, precisamos de crentes que se julguem pequenos, humildes ao dizer: “Pai, eu não mereço.” Que reconheçam os seus erros, afirmando: “pequei”, não tentando desculpar suas atitudes fracassadas. Que tenham coragem de pedir perdão, correndo o risco de ser rejeitado pelas pessoas, por parecerem tão frágeis diante de Deus o pai, como estava o filho ao voltar para casa.

A família de Deus sofre com as atitudes de irmãos mais velhos, mas o pai deseja que sua casa seja um lugar sem vaidade, arrogância e ressentimento, onde nos alegramos com o sucesso e a vitória do outro. Deus continua sendo amoroso, insistindo em convidar ao arrependimento e a entrada para a festa. O mesmo pai que recebe o que volta e se arrepende, também aguarda os arrogantes, vaidosos e ressentidos para a festa. Deus quer que tenhamos um coração semelhante ao dele, ele deixa claro na parábola, ao tentar convencer o filho mais velho sobre a recuperação de seu irmão e como isso era importante para a família. “Estava perdido e foi achado, morto e reviveu.” Quer algo mais tremendo que isso? Este é o amor de Deus por sua família.
Izaias2

Izaias Querino,

Diretor Geral da Convenção Batista Paranaense, natural do Espírito Santo é casado com Geise Monteiro; formado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, RJ. Tem três filhos: Leonardo, André e Evelize; e três netos. Pastoreou a Pib de Apucarana e a Pib de Paranaguá, no Paraná e a IB Central de Teresópolis, no Rio de Janeiro. Dedica-se à promoção de treinamentos de pastores e líderes e tem exercido várias funções na denominação Batista. Tem pregado a Palavra de Deus no Brasil, em vários países da América do Sul, na Europa e nos Estados Unidos. É Diretor Geral da CBP desde 1994.