Quem já foi vítima da dengue e quase passou daqui para o além treme só em ouvir o nome do mosquito Aedes aegypti. Você não o vê, às vezes escuta o zumbido. Pode ser de um pernilongo inofensivo, se é que pernilongos são inofensivos, mas a experiência é traumática. Hospital, transfusões, injeções, dor (E que dor!), febre. E às vezes você tem alucinações e perde o controle da mente e provoca acidentes. Aconteceu comigo. Dois acidentes de carro em um espaço de três horas, além do prejuízo financeiro. A morte e o mosquito não conseguiram me levar porque sou mais teimoso que o mosquito. Resistente, não me deixo convencer com facilidade. Mas estive quase lá, no túmulo. Ao ver o carnaval nas últimas semanas montado pelo governo para combater o mosquito, confesso que dei boas gargalhadas. Caso o mosquito, além de zumbir, também sorrisse, faria o mesmo. E bem no íntimo do mosquito ele pensou (Mosquito não pensa), bobos! Vocês jamais me vencerão nesta guerra com tais carnavais. A razão é bem simples, e o mosquito entende disso. Haveria erradicação apenas usando a higiene. Coisa que sanitarista entende, mas não consegue realizar, pois o governo não destina verba para educação da população e erradicação da sujeira que infesta as cidades. É fácil combater o mosquito. Basta ensinar educação comportamental ao povo.
Não jogar lixo em terrenos baldios. Tolerância zero para os donos de terrenos e imóveis que não os limpam. Ensinar os motoristas dos carrões e seus ocupantes a não jogar em vias públicas copos e restos de lanches. O governo está preocupadíssimo em ensinar sexo às crianças do berçário, mas não tem um programa educacional que leve as crianças a zelarem pela limpeza da cidade. Não há verba. Verba existe apenas para propaganda mentirosa. Que tal algumas novelas imorais, que destroem a família e o caráter das pessoas, inserirem no enredo “Como manter o ambiente limpo?”. A erradicação da febre amarela no passado, antes da vacina, passou por processo sanitário. Removido o entulho e o lixo, fica mais fácil eliminar o mosquito. Tal proceder continua válido hoje. O mosquito não entende de limites geográficos. Mas pode ser limitado em sua infestação se todos eliminarmos o seu ambiente de proliferação. Como salvos, somos vítimas de uma sociedade suja. De governos que não investem na canalização e o reaproveitamento de esgoto. Não providenciam água potável para os mais pobres. Que se comprazem na miséria, sujeira e analfabetismo de boa parte da população, para tê-la como fonte de votos. É hora de reagir, a começar por nossos lares. Façamos guerra à sujeira, aos maus políticos, à fanfarra com fins eleitoreiros, e, especialmente, ao mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus. Deus ama a limpeza.