Antigamente, quando alguém “batia palmas” em nossos portões, mesmo sem saber quem era, autorizávamos a entrar. Hoje, atrás de muros que são verdadeiras fortalezas ou penitenciárias, nos assustamos quando a campainha é acionada. Quem será a esta hora? Algumas vezes acontece no meio da manhã ou da tarde, e achamos o horário inconveniente. Por receio, nem mesmo parentes estão visitando outros, sem aviso prévio. É preciso coragem para admitir que isso já se transformou em doença que, cá entre nós, ocorre com intensidade. Interfones com pequenas câmeras são instalados estrategicamente apontando para a entrada dos nossos lares podem representar um estágio ainda mais avançado da inquietude. Neste contexto, espiar com hesitação pelo “olho mágico” também significa certo distúrbio. Com governos relapsos e corruptos, a insegurança é atualmente o grande terror da sociedade brasileira. O Estado também tem medo. Já ocupei este espaço para explanar sobre a falta de verdadeiras lideranças no país. A maioria no poder não quer mais enfrentar os problemas de frente. Por quê? Porque também tem medo e quer somente o dinheiro “disponível” no setor público. Alguns têm pavor de se indispor com alguém ou até com grupos. Mal sabem eles que foram eleitos para isso. Quem está no poder e quer ser bonzinho com todo mundo é porque tem medo. Os grandes estadistas que lideraram este país no passado o fizeram também pela intrepidez. Você, por acaso, está vendo isso em algum governante atualmente? Milhões de pessoas têm medo da velhice, do futuro. Outras simplesmente têm medo do escuro, de altura, de baratas ou de pererecas. Perguntei a um grupo de crianças quais eram os seus temores. Resposta ampliada: Furacão, terremoto, tempestade e injeção. Alguns se manifestaram com pavor de perder alguém da família, de sofrer acidente ou até de não se casar. De qualquer forma, senti que alguns medos foram aposentados. Ninguém sente mais nada quanto ao “Boi da cara preta”, Lobisomem, Bicho-papão ou pela Cuca. Esta última, a “jacaroa” do Sítio do Pica-pau-amarelo não apavora ninguém mais com estas palavras: “Remelentos e remelentas, preparem-se porque a Cuca vai te pegar!!!”. Nem com a ajuda de outro personagem criado para auxiliá-la, o “Pesadelo”, a quem ela espancava e chamava de “Estrupício”.

A “sugerida” violência da Cuca não causa medo mais. Passei parte de minha infância sempre observando se tinha alguém embaixo da cama na hora de dormir. Embora meus pais me explicassem que nada havia, não sabia como mudar este hábito. Tem gente com receios simples, como o de verificar duas ou três vezes se o registro do botijão de gás está desligado. É uma espécie de mania obsessivae compulsiva bem ao estilo do rei Roberto Carlos. O principal temor, que já virou epidemia, é o receio da morte. Vemos a todo instante na televisão, pessoas que saem de casa e são alvejadas nas ruas sem nenhuma explicação. A insegurança leva a isso. Todavia, parte deste temor não tem fundamento. Os meios de comunicação fizeram que isso aumentasse em nossa mente. As TVs, principalmente, colocam seus apresentadores a bradar, espernear, xingar contra determinados crimes, mas, dia após dia, fazem da morte um comércio tal como as funerárias. Um show “espetacular”. As cenas que mais amedrontam os cidadãos são postas à exaustão na tela. É informação, sem dúvida, mas também traz consigo a proliferação não só do medo, mas, também, do mal em suas mais terríveis perspectivas. Em termos mais abrangentes, por falta de vida espiritual firme, a mente humana já não está diferenciando a fantasia da realidade. O excesso de autopreservação, de autoproteção, tem criado uma geração de covardes. São palavras impactantes, fortes, mas reais. Quer ver? O mimo exagerado com os filhos determina dependência quase eterna para com os pais. Nem parece que criamos filhos para o mundo. Na essência disso está o medo. O receio de que os filhos sofram ou fracassem. Negar que possam enfrentar dificuldades ainda jovens pode ser um despreparo para a vida. Na Bíblia, um dos exemplos de como vencer o medo está na vida do rei Ezequias. No ano de 701 a. C., sentiu-se ameaçado pelas campanhas militares assírias. A fama de mal dos invasores vinha com uma estratégia de sedução do povo a se entregar em troca de resguardar suas vidas. Por medo da morte, Ezequias se derramou a orar perante o Senhor e foi atendido. O que quero dizer é simples: “Muitos de nossos temores só acabam quando recorremos ao Senhor”. Não  o amigo, o parente ou um conhecido que conseguirá fazer isso. Creia!

 

Paulo Francis Jr.,
colaborador de OJB