Hoje o rei pode ver com seus próprios olhos como o Senhor o entregou em mi nhas mãos na caverna. Alguns insistiram que eu o matasse, mas eu o poupei, pois disse: não erguerei a mão contra o meu senhor, pois ele é o ungido do Senhor.” (I Sm 24.10).

As Sagradas Escrituras relatam a vida de Davi. Isso se dá a partir do momento em que o profeta Samuel visita a casa de seu pai, Jessé, em busca daquele que Deus escolhera para que o profeta ungisse como o novo rei de Israel. De igual forma, são descritas as inúmeras experiências que Davi teve ao longo de sua vida. Podemos constatar como Deus era com ele, desde quando era pastor de ovelhas. Sabemos que a ação do Senhor em sua vida não era por acaso. Deus tinha um propósito definido na vida de Davi, assim como tem na minha e na tua vida. O tempo passava e cada vez mais os propósitos divinos se concretizavam na vida daquele adolescente/jovem que, na sua pouca idade, teve a coragem e o destemor de enfrentar um gigante filisteu. E o fez, pela sua indignação daquele incircunciso em desafiar ao Deus Todo Poderoso de Israel. Certamente, o temor e a reverência que expressava ao Senhor era o grande diferencial em suas ações vitoriosas. Mesmo já tendo sido ungido rei de Israel, continuou com a mesma humildade e simplicidade de antes. Jamais tentou usurpar o reinado que, por direito, já lhe pertencia. Ao contrário daquilo que poderia ter sido a lógica, ele prestou serviço ao rei, de fato, Saul. Era um serviçal do rei, na execução da harpa para aliviar as tensões dos maus espíritos que atormentavam o rei. Executava sua habilidade com toda a dedicação e sinceridade de coração. A retribuição e o reconhecimento que granjeou foi ter sido expulso do palácio por inveja e perseguição. Viu-se obrigado a tornar-se um fugitivo da presença de Saul, a fim de preservar a sua integridade e a própria vida. A perseguição e tentativas de mortes que sofrera foram intensas e reiteradas vezes. Entretanto, em seu coração não havia ódio, rancor, amargura e, muito menos, desejo de vingança. A maior prova disso foi o fato narrado no versículo acima, quando ele teve a oportunidade em suas mãos em tirar a vida de Saul. A ira do rei era intensa, exatamente pelo fato de saber que Davi havia sido ungido rei para substituí-lo. Essa era a razão pela qual caçava Davi como quem busca um animal para eliminá-lo. O interessante é que Saul perseguia a Davi com todo o seu exército. E em uma daquelas investidas, adentrou em uma caverna, exatamente onde encontravam-se Davi e seus soldados, ocasião em que Davi teve a oportunidade de tirar-lhe a vida. E não só a oportunidade, como também o incentivo daqueles que com ele estavam. Constantemente corria risco de morte. Agora tinha a vida do rei Saul em suas mãos. Entretanto, o temor que tinha ao Senhor falou mais alto. Apenas e, tão somente, obteve uma prova inconteste de que teve a oportunidade de vingar-se, porém, não o fez. Quantas vezes, nós, que dizemos ser servos do Senhor, que O honramos e O tememos e temos oportunidades de testemunhar desse Deus que servimos, por razões tão insignificantes e banais, agimos totalmente diferente. Obviamente, não matamos fisicamente. Mas, não exercitamos misericórdia, perdão, não damos a segunda chance a quem nos ofendeu ou nos decepcionou. Em alguns casos, pode ser até aquele ungido do Senhor que nos pastoreia, e que merece nossa admiração, respeito e o nosso perdão. Davi, por temer ao Senhor e o amá-lO, deu a segunda chance ao seu perseguidor que, humanamente falando, não merecia. Que possamos refletir e aprender com o nobre testemunho desse valoroso homem de Deus, como devemos realmente agir. Não foi por acaso que o nosso Deus chamou Davi de: “Homem segundo o Seu coração. ”(Atos 13.22). Amém.