“E aconteceu depois destas coisas que tentou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: eis-me aqui. E, disse: Toma agora e teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai- te a terra de Moriá e oferece- o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.” (Gn 22.1-2)
Quero tomar de forma um tanto alegórica este episódio e não ver totalmente pelo lado literal, como se Abraão fosse apenas sacrificar o filho como se sacrifica um animal, o que era a forma de oferecer um culto a Deus. Muito embora esteja presente esta ideia de sacrificar o filho como se sacrificava um cordeiro, o degolando, no sangue derramado sobre o altar e posto fogo, vejo a fé, obediência, submissão e total dependência de Deus em sua vida. Quero ver, neste relato, um crente oferecendo a Deus algo precioso que exista em sua vida. Quero também ver um pai oferecer seu filho a Deus para um ato solene de culto.

Esta figura me mostra um modelo de culto que Deus estabelecia para que uma família fosse abençoada e, como tal, ser referência perpétua para o povo de Deus em todos os tempos. Havia este tipo de culto, no lado pagão, quando uma divindade, chamada Moloque, era aquecida com fogo e quando seus braços estavam encandecidos, seus adoradores punham seus filhos recém-nascidos sobre seus braços e os ofereciam em sacrifícios em um culto de profunda ignorância. Vejo este culto maldito hoje, quando pais levam seus filhos em tenra idade para os lugares profanos, são ensaiados para as exibições na mídia em busca de fama, que nada mais é se não praticas mundanas por não serem tementes a Deus. Este é o altar da maldição (…). Voltando a Abraão, vejo o desafio de criar nossos filhos na presença de Deus, oferecê-los a Ele e, de contínuo, colocá-los no Altar do Senhor. Além de levá-los aos cultos para cultuarem conosco, termos por prática, colocá-los todos os dias no altar da oração, do amor, carinho, mansidão, compreensão, apoio, boa disciplina, companheirismo, diálogo, perdão, leitura da Palavra de Deus e ter coragem de oferece -los ao Senhor, como Abraão fez. Por este motivo, Deus o livrou da morte. Quando nossos filhos e coisas em geral não são dedicados a Deus, elas certamente estão sujeitas a desaparecer das nossas mãos. Poderia estender-me à história de Abraão, desdobrando a vida de Isaque e os demais filhos que não foram postos no altar. Poderia citar Ana e Samuel, João o Batista e mais alguns. Contudo, me limito a essas citações, e o pequeno desdobramento de Abraão e Isaque, com o propósito de ser proveitoso para a vida do povo de Deus.