O mundo em que vivemos jamais chegou a dias tão inconsistentes em termos de relacionamentos. Nossos dias são chamados pelos intelectuais de pós-modernidade. Estamos desunidos em termos de família, casais (há jovens casais separando-se em menos de um mês de casa- mento), política, religião; tudo serve apenas para nos dividir. Jesus disse que nós somos o sal da terra. Ele afirma que o mundo só melhora se a Igreja for um exemplo contrário ao que o mundo é. Se o mundo está desunido, a Igreja deve mostrar-lhe o que é união, e quão abençoado seria o mundo se vivesse em união.

Onde encontramos na Bíblia um exemplo de união? Vamos começar pelo exemplo de uma família. O casal era israelita, tinha dois filhos e foi morar em terra estrangeira. Os filhos casaram-se com moças em que as famílias tinham altares para adoração aos deuses. Vindo morar com a família dos jovens, elas viram que não havia altares para adoração aos ídolos. Aí começa a grande lição a todas as gerações posteriores. O sofrimento veio com a morte do pai dos dois jovens. Depois, a morte dos dois jovens maridos, e agora? Restam três viúvas. A israelita não conseguiria viver em uma casa que prestava culto a deuses (naquele tempo o chefe da casa era sacerdote do deus que escolhera como deus, e erguia um altar em sua casa), então, que fazer? Voltar sozinha para a sua cidade.

Talvez, em Israel encontrasse quem lhe desse amparo, por ser viúva, já́ que em Israel havia leis em favor das viúvas. Mas uma das noras trocou o conforto do lar dos seus pais idólatras, e, como viúva, decidiu cuidar da sogra, também viúva. E como cuidou de sua sogra! As amigas vizinhas a classificaram de nora amorosa e melhor do que sete filhos. Agora perguntamos: vemos em nossas Igrejas laços familiares tão consistentes? Vemos relacionamentos tão fortes? Vemos crentes e lideres preocupados com as necessidades dos que passam dias tão difíceis?

Vamos ao segredo: Rute deu a razão porque não voltaria aos seus deuses, proposta feita pela sua própria sogra e que ela rejeitou. O preço que sua sogra não pagaria para continuar em sua companhia, ela pagaria para cuidar da sogra. Que segredo maravilhoso e que devemos redescobrir. O segredo ainda é valido para hoje. “O teu Deus é o meu Deus”. Será que há algum deus nos dividindo? Se há divisão é porque o Deus do meu irmão não é o meu Deus também. Aí jaz a grande dificuldade. Quando estou insensível às necessidades do meu irmão, não estou adorando e servindo ao mesmo Deus. A divisão é, em primeiro lugar, entre eu e Deus. Bem disse Jesus que, ao trazer minha oferta, já devo ter perdoado meu irmão. Foi por isso que a adoração de Jesus, feita no Calvário, foi valida para a nossa salvação.

Se essa é a condição para a adoração ao nosso Deus, será que está havendo adoração quando adoramos? Dizer ao meu irmão: “O teu Deus é o meu Deus”, traz um grande preço a pagar. Lá no céu quero abraçar a irmã Rute, a moabita, por ter me ensinado tão grande verdade.

Manoel de Jesus,
Pastor, colaborador de OJB
publicado em: O jornal batista 22/07/18

 

 

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