A Bíblia nos ensina que devemos ser sempre gratos pelo que temos. Como o livro de Hebreus lembra: “Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês tem” (Hb 13.5). Mas, como podemos nos contentar com o que temos? Uma forma é experimentando a sensação de não termos o que temos. Afinal, muitas vezes somente valorizamos aquilo que temos – sejam objetos ou mesmo pessoas – quando perdemos, por estarmos acostumados, presos na sensação de que aquilo que está conosco de fato nos pertence. Uma solução para quebrar este círculo vicioso, mesmo que seja difícil de se perceber, é o jejum.

Diferente do que muitos pensam, o jejum não serve somente para uma “elevação espiritual”. Muito mais importante do que isto é a outra função do jejum: aprender a vermos a realidade tal como aqueles que não têm tanto quanto nós. Assim, não somente diminuindo as refeições, mas também limitando a alimentação ao pão e à água, podemos nos colocar no lugar daqueles que somente têm isto para se alimentarem – quando têm!

Porém, no jejum podemos dar ainda outro passo a além: podemos, para além de nos colocar no lugar de quem tem menos – a fim de termos uma empatia mais real –, também podemos promover a mudança no outro, permitindo que aquele que tem menos também possa experimentar ter mais: pode-se, além de não comer, oferecer aquilo que se comeria para quem pouco ou nada tem.

Este princípio estava presente em um texto bastante antigo, um dos textos cristãos mais antigos, inclusive, denominado Pastor de Hermas, no qual é dito: “no dia em que você jejuar, nada provará além de pão e água; e depois de calcular o preço dos pratos que pretendia consumir naquele dia, dará o valor aferido a uma viúva ou a um órfão, ou a alguém necessitado” (Pastor de Hermas, 3.5.3). Porém, tal princípio também é indicado pelo nosso Senhor Jesus Cristo! Questionando não somente as purificações dos fariseus, Jesus faz uma recomendação que muitas vezes esquecemos: “deem o que está dentro do prato como esmola, e verão que tudo lhes ficará limpo” (Lc 11.41). Esta é a purificação, a “elevação espiritual” que Jesus espera de nós.


A Bíblia nos ensina que devemos ser sempre gratos pelo que temos.


Por, Willibaldo Ruppenthal Neto
Colunista Voluntário – CBP

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