A verdade é que a humanidade geme sob o peso do medo. Há quem diga que não existe medo e que não tem medo de nada, isto não passa de uma figura de ficção. Então, por que a confrontação entre as grandes potências? Por que a competição econômica e as injustiças no campo social? Parte tudo da mesma causa, o medo. Por que os homens andam armados? Por que precisam de guarda-costas? Por que colocamos grades de proteção em nossas janelas? Por que tomamos remédio, muitas vezes, sem necessidade? Por que guardamos víveres e acumulamos dinheiro além do necessário? Por que os homens matam seus inimigos? No fundo, de tudo isso, direta ou indiretamente, encontramos, sem dúvida alguma, o medo.

O mal que destrói a humanidade é sempre o medo. Há uma intranquilidade que nos incomoda; há um receio que nos perturba e uma insegurança que nos aflige; é o tacão do medo que nos mal- trata e nos esmaga. O medo tomou conta do homem no tempo e no espaço: Adão teve medo e se escondeu; Abraão teve medo do rei do Egito e, por isso, men- tiu; Jacó fugiu com medo porque enganou seu irmão; José fugiu com medo do Faraó por matar um egípcio; Josué temeu ao ver o anjo do Senhor com a espada na mão; Josafá teve medo dos exércitos aliados; Davi teve medo do seu filho Absalão; os apóstolos temeram quan- do viram Jesus andando so- bre o mar; tiveram medo dos judeus e, por isso, estavam com portas fechadas; todos tiveram medo porque todos eram pecadores.

Ficamos, mais ou menos, como os 12 apóstolos naquela madrugada, quando viram Jesus se aproximar do barco onde estavam, andando por sobre o mar; mudos, atônitos, atemorizados. Chegaram a ver fantasmas. O medroso vê fantasmas onde não existe. O medo é capaz de tudo, gigante responsável por uma série imensa de transtornos entre indivíduos nos lares, na comunidade e no mundo. É um flagelo! Quanto aos tipos de medo, entre muitos, descrevo al- guns: Medo da violência, medo da noite, da morte, da vida, dos perigos, da velhice, do futuro, de Deus, das enfermidades, da solidão, do inferno e do diabo. Há pessoas que têm medo até da própria sombra. Em consequência, o medo traz o desequilíbrio emocional, ocasionando uma fobia (medo de tudo). É mister, portanto, que deixemos o medo. Mas como deixá-lo se ele existe dentro de cada um? E se o mesmo veio na encarnação adâmica e tem percorrido todas as civilizações?

Só existe um meio para deixá-lo; está cheio de amor de Jesus Cristo, porque, “No amor não há temor, antes, o perfeito amor lança fora o medo” (I Jo 4.18). E mais, Sal- mos diz: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de que terei medo?” (Sl 27.1).

Natanael Cruz, pastor da Primeira Igreja Batista Jaboatão dos Guararapes – Recife – PE