O perfil de uma pessoa é aquilo que ela é e não aquilo que ela quer ser. No livro de Atos dos apóstolos encontramos o perfil da Igreja Primitiva em Jerusalém: “Três mil pessoas convertidas e recém-batizadas perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, e no partir do pão e nas orações e todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum” (At 2.41-44). Muitas Igrejas evangélicas agora, quando vão convidar um pastor para substituir o que saiu, elaboram um perfil de acordo com as exigências ou status da Igreja, e criam uma comissão para entrevistar candidatos com vista ao pastorado. Paulo, o apóstolo, dificilmente se enquadraria no perfil de algumas dessas Igrejas. Pois bem, quando me refiro ao perfil de um homem de Deus, penso no profeta Samuel. Homem de Deus não porque se autodenominasse, mas porque o povo de Israel o reconhecia e o aclamava, como relata I Samuel 9.6. Samuel morava no tabernáculo onde estava a Arca da Aliança, ministrava diante do Senhor junto ao velho profeta Eli. Segundo Josefo, historidor judeu, Samuel tornou-se profeta aos 12 anos de idade. O povo de Israel estava debaixo do jugo dos filisteus há muitos anos e, durante esse tempo, Deus deixara de comunicar-se com o profeta Eli por causa da vida pecaminosa de seus filhos. Deus o advertiu sem resultado. Foi aí que revelou ao garoto Samuel sua primeira profecia, a de que Eli e seus filhos seriam retirados do sacerdócio descrita em I Samuel 2 e 3; sacerdócio que por direito pertencia aos descendentes de Arão. C.H.Spurgeon tem uma expressão muito bonita sobre essa escolha de Deus: “Não havia visão aberta naqueles dias em Israel quando ela veio, um indivíduo tinha o ouvido bom para recebê-la e o coração obediente para executá-la”. A profecia contra a casa de Eli cumpriu-se quando Israel foi vencido pelos Filisteus em uma batalha que perdeu 30 mil homens de guerra, a Arca do Senhor foi levadapelos inimigos, os dois filhos do profeta Eli foram mortos e o próprio Eli quando recebeu a notícia também morreu, de acordo com o que diz o texto de I Samuel 4. Quando a Arca do Senhor foi devolvida pelos filisteus, Samuel convocou uma grande assembleia e levou o povo ao arrependimento e adoração a Deus. Os filisteus ainda tentaram atacar Israel; sem sucesso, porque Samuel clamou ao Senhor e Ele o livrou milagrosamente; e nunca mais investiram contra Israel durante o tempo que Samuel foi juiz. Em sua administração o país gozou de liberdade e independência. Quando envelheceu, não podendo mais viajar, constituiu seus filhos como juízes, que foi um desastre. Foi uma fase de transição e Samuel foi o instrumento de Deus para passar da teocracia (governo de Deus) para monarquia. O povo descontente veio pedir um rei que governasse Israel. Samuel consultou a Deus e Ele mandou ungir Saul como o primeiro rei de Israel. Não demorou muito, Saul deixou de cumprir as ordens do Senhor, e perdeu o trono. Teve como seu sucessor Davi, o maior dos reis de Israel, que também foi ungido por Samuel conforme Deus mandou. Samuel morreu velho, em sua casa em Ramá, e todo povo pranteou por muitos dias. O que dizer do profeta Samuel? Ele teve um tríplice ministério: Sacerdote, Profeta e Juiz; ministério que exerceu com integridade por 40 anos, sem nenhuma mácula!

 

Geraldo Terto

O Jornal Batista