“Então o Senhor perguntou a Caim: Onde está seu irmão Abel? Respondeu ele: Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?” (Gn 4.9).
Onde está o teu irmão Abel? Deus faz a Caim uma pergunta retórica, ou seja, um questionamento que não tem como objetivo obter uma resposta, pois o Senhor já sabia do ocorrido. Deus sabia que Caim havia assassinado seu irmão. A pergunta divina tinha como objetivo levar Caim a refletir sobre seus atos. Deus chama Caim à consciência. Caim responde ao Senhor de duas maneiras. A primeira é uma afirmação mentirosa: “Não sei”, disse ele. E a segunda resposta, em forma de pergunta, foi uma declaração impertinente: “Sou eu responsável pelo meu irmão?”, questionou. A pergunta de Caim, infelizmente, ainda hoje ecoa em nosso meio. Talvez não sejamos tão insolentes quanto ele foi ao ser indagado por Deus. No entanto, através de nossas atitudes, muitas vezes nos recusamos a assumir uma responsabilidade para com nossos irmãos. Não é mero costume chamarmos uns aos outros de irmão ou irmã. Isso não é apenas uma tradição. É ensinamento bíblico! Pois se, em Cristo, temos a Deus como Pai, é certo que, no Salvador, somos irmãos, de acordo com João 1.12. Sendo assim, nós somos, de fato, responsáveis uns pelos outros. A Parábola do Bom Samaritano nos ensina isso. Tiago corrobora com o ensinamento de Cristo, ao afirmar que: Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se”, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? (Tiago 2.15-16). Cuidar do irmão não é obrigação exclusiva do pastor ou dos diáconos da Igreja. É uma tarefa para todos aqueles quem têm a Deus como Pai. Orar pelo irmão, aconselhar os que carecem de uma orientação, socorrer os necessitados, suprir as carências materiais dos menos favorecidos, etc., é nossa obrigação. A Igreja jamais deve se esquecer de que a responsabilidade mútua é um ensinamento bíblico, portanto, deve ser praticada. Muitas vezes estamos aquém dos sofrimentos do nosso irmão ou irmã que senta ao nosso lado todos os domingos no culto. E se praticássemos esta verdade de uma forma tão intensa ao ponto de a estendermos ao mundo? E se o ser humano passasse a viver como responsável pelo seu próximo? E se um cuidasse do outro? E se um colocasse o bem e a alegria do outro acima dos seus próprios objetivos e prazeres? É certo de que não haveria mais guerras, fome, corrupção, preconceito racial ou outros males que têm dizimado milhões de vidas. Porém, reconheço que é praticamente impossível isso acontecer, porque o mundo não entende esse princípio bíblico. Quem não tem a Deus como Pai, jamais enxergará o próximo como irmão. É o que temos visto. Assim como Caim, aquele que não entende ser responsável pelo seu irmão, está sujeito a participar, através de suas atitudes ou negligência, do sofrimento do mesmo. O mundo não entende isso. Todavia, o cristão não tem desculpas. Ele é, de fato, responsável pelo seu irmão. Deus nos pergunta pelos nossos irmãos. E o que temos respondido ao nosso amado Pai?