A controvérsia sobre a ordenação feminina se ar- rastou por décadas dentre as igrejas da Convenção Batista Brasileira. Muitos artigos foram publicados por pastores e leigos em nossos periódicos. Na década de 90, foi nomeada uma comissão para estu- dar e apresentar um parecer sobre o assunto. Após anos de debates o relatório da referida comissão foi aprovado na Assembleia de 1999, na cidade de Serra Negra, Estado de São Paulo.

A posição aprovada pelos Batistas reconhecia que a responsabilidade de decidir quem ordenar ao ministério da palavra era da igreja local, porém destacou a necessidade da realização de congressos regionais, com a finalidade de se aprofundar na matéria. A partir daí, as diversas secções da Ordem de Pastores Batis- tas do Brasil, passaram a deliberar sobre.

No sul do Brasil, a Secção Paraná saiu na frente quando apoiou a Igreja Batista da Vila Hauer em sua decisão de ordenar uma mulher e, assim, examinou, consagrou e recebeu entre os seus filiados a Pra. Teresinha Meirelles. Mas ainda a controvérsia se dava em nível da Ordem nacional e da própria CBB.

Em Janeiro de 2007, na cidade de São José, Região metropolitana de Florianópolis, Santa Catarina, a Ordem de Pastores Batista do Brasil rejeitou o ingresso de pastoras em seu rol de membros, causando um desconforto a suas Secções que já haviam recebido pastoras. Em 2010, na Assembleia da Ordem na ci-

dade de Cuiabá, Mato Grosso, a Ordem dos Pastores-Secção Paraná, fez um pedido de esclarecimento sobre a situação das pastoras que tinham sido consagradas até 2007 e incluiu na pauta dos debates o reconhecimen- to das mesmas.

A partir de então, ficou decidido o reconhecimento das pastoras já consagradas e filiadas até 2007, porém permanecia vedado o ingresso de novas pastoras após essa data, embora uma nova porta tenha se aberto para as demais pastoras e candidatas. Em janeiro de 2014, a Assembleia da Ordem na cidade de João Pessoa-PB, retomou o debate e decidiu que cada Secção Estadual da OPBB, ficaria responsável por decidir pelo ingresso ou não de novas pastoras. No dia 16 de setembro de 2014, a Ordem de Pastores Batistas do Brasil, secção Paraná, decidiu, pelo voto, ratificar decisão já toma- da na década passada. Portanto, em nosso Estado, a Ordem de Pastores reconhece que é possível a orde- nação feminina, desde que se reconheça a autonomia e a responsabilidade das igrejas locais na escolha de seus ministros e a Ordem reunir-se em concílio para examinar e recomendar os atos consagratórios, bem como a filiação daquelas que forem consagradas ao ministério da palavra.

Nivaldo Cavallari

Presidente da OPBP e Pastor da PIB de Paranaguá