Ah! a internet, este universo de informações e novos paradigmas de relacionamentos que nos surpreendem a cada semana. Este artigo é de um pastor, usuário e vítima deste universo tecnológico. Não sou especialista no tema na questão técnica, mas como pastor convivo com famílias e opino sobre qualquer tema sob a perspectiva bíblica. Os pais não são mais tão analógicos e os filhos nem mais tão tecnológicos quanto há alguns anos. Não estou dizendo que o título não revela uma realidade, afinal a grande mudança é que os pais tiveram que aprender e sempre se sentem estranhos mexendo com as novas interfaces, quando os filhos já nasceram adaptados a um mundo infinitamente mais amplo e conectado que seus pais. Os pais têm que se esforçar, os filhos não. Contudo, o número de pessoas adultas e idosos que usam a internet e os gadgets é enorme. O interesse e disposição desta faixa etária são crescentes, pois podem reencontrar amigos e falar com netos e até mesmo pagar contas e ter entretenimento nesta nova realidade. E as gerações mais novas, que não convivem com o elemento da novidade (para eles é normalidade) aos poucos começam a se desencantar com a vida digital e buscar a vida analógica. Escrevi este parágrafo para mostrar que nem sempre esta dualidade é tão estigmatizada quanto achamos. Ou você nunca viu um filho reclamando que o pai passa muito tempo na internet?

Algo que ainda não entendemos é o que é virtual e o que é real. Podemos dizer que uma conversa no Skype não é real? Podemos dizer que um bate papo embaixo de uma árvore é 100% real? Será que não são apenas os meios que podem ser categorizados assim? São perguntas honestas. Talvez o grande desafio seja mesmo mais profundo como o que a Bíblia chama de entrar em acordo. Amós 3.3 diz que se quisermos andar juntos, isto é fundamental. E pais e filhos precisam andar juntos, tanto porque os filhos precisam de pais presentes como os pais necessitam do frescor da juventude. Uma igreja saudável é plural, tem todas as faixas etárias. Para isto, não é tão importante se os meios são virtuais ou reais, mas a disposição de cada indivíduo na relação. Toda relação precisa aprender a se reinventar, tanto para que a rotina não se torne tédio, quanto para que as novas realidades sejam utilizadas a favor e não impeçam o mais essencial – pessoas tocando pessoas. Não acho a internet ‘mais um paradigma’, para mim é óbvio que um dia dividiremos a história a partir do advento dos cabos óticos e das conexões em altíssimas velocidades e sem fio. O que quero ressaltar é que outros desafios virão, e só irão prevalecer se o elemento humano aprender a usar tais meios para voltar-se ao seu próximo, mesmo que agora através de uma tela.

Minha opinião? Quanto menos tecnologia melhor, mas se pudermos usar a nosso favor, então usemos.

Pr Osmar Gomes

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