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Poucos poderiam acreditar que uma igreja organizada em uma modesta casa se tornaria, um século depois, uma das maiores comunidades cristãs de Curitiba. Os integrantes da Primeira Igreja Batista da capital do estado, por muitas vezes, tiveram que se agarrar à fé para não desanimar.

A história remonta a 1911, quando o missionário norte-americano Robert Pettigrew se fixou no Litoral e organizou as primeiras igrejas no Paraná, em Paranaguá e Antonina. No ano seguinte, o pastor e sapateiro Manoel Virgínio de Souza veio de Alagoas e desembarcou no estado para ajudar nos trabalhos de Pettigrew.

Não tardou para que Souza subisse a Serra do Mar e, juntamente com mais nove membros, assinasse a ata da fundação da Primeira Igreja Batista de Curitiba (PIB), no dia 13 de maio de 1914. Pettigrew assumiu os trabalhos como pastor interino. Naquela ocasião, levantou-se a primeira oferta missionária: 10 mil réis. O crescimento rápido dessa primeira comunidade batista forçou sucessivas mudanças de endereço, uma delas para a Rua Aquidaban, 44 – atual Rua Emiliano Perneta.

Em 1919, já sob o “comando” do pastor Artur Deter, tomou-se a iniciativa de construir um templo para a PIB. Ao preço de 14 mil réis, os então 115 membros adquiriram uma propriedade localizada à Rua Visconde de Guarapuava, esquina com a Desembargador Westphalen, no Centro da capital. Os fieis sonhavam com um templo para abrigar mil pessoas. A pedra fundamental foi lançada em 15 de abril de 1923 e a inauguração do templo ocorreu em grande solenidade pública, no dia 1.º de janeiro de 1924.

A comunidade foi crescendo e o espaço, ficando pequeno. A nova mudança de endereço, todavia, se arrastou por décadas. O atual pastor titular da PIB, Paschoal Piragine Júnior, conta que na década de 1970 houve a tentativa de adquirir um novo terreno. Contrataram até um arquiteto paulista para elaborar o projeto. “Foram até lá e o arquiteto foi realista. A igreja não ficaria tão grande quanto era necessário. O terreno, assim, não era o ideal.”

Foi aí que, numa dessas coincidências da vida, um encontro quase ao acaso definiu os novos rumos da igreja. Os pastores toparam, em uma feira em São Paulo, com Maria Pia Matarazzo, dona do terreno onde está edificada atualmente a igreja. “Dizem que ela falou: ‘Por que não compram um terreno meu lá em Curitiba, no bairro Batel?’”, conta Paschoal. O local era ideal, porém os 24 milhões de cruzeiros pedidos à época estavam muito acima dos 100 mil arrecadados por mês pela igreja. Nem a possibilidade de dar ‘só’ oito milhões à vista, com a condição de parcelar o restante, ajudava.

“Pediram um prazo de 60 dias e em um mutirão arrecadaram um milhão. Na cara de pau, pediram mais 60 dias de prazo. Maria Pia disse que se eles conseguissem levantar 3 milhões, doaria os outros 5”, relata Paschoal.

Passaram-se os dois meses e apenas mais um milhão tinha sido arrecadado. O negócio quase escapava pelos dedos quando um empresário, que nem batista era, resolveu doar o milhão faltante. Foi assim, no sufoco e nos 45 minutos do segundo tempo, que a igreja vislumbrou um espaço para a construção de um novo templo – que só ficou pronto por completo para as celebrações do centenário da PIB, neste ano.

O novo templo “lutou” contra o Plano Collor

De 1978 a 2014, o Brasil passou por seis padrões monetários diferentes. Do Cruzeiro ao Plano Cruzado. Do cruzeiro-real ao Real. Do Cruzado Novo ao novo Cruzeiro. Foram tantas moedas que o valor de toda obra do novo templo da Primeira Igreja Batista de Curitiba (PIB) se torna quase impossível de ser calculado.

O certo é que, depois de quase perder o terreno pela falta de um milhão de cruzeiros, foram quase três décadas para que templo pudesse ser efetivamente construído. O pastor Paschoal Piragine Júnior, que chegou à PIB em 1988, conta que até 1987 a igreja funcionou na antiga sede, entre a Rua Visconde de Guarapuava e a Desembargador Westphalen. Mas a pedra fundamental do novo templo estava lançada desde 1983.

“Primeiro optaram por construir um ginásio por ser mais barato e ser uma construção mais rápida. O primeiro culto nesse local foi em 87”, relata. Antes, já haviam realizado diversas orações a céu aberto, na Rua Bento Viana, 1.200, no Batel.

A edificação do templo – inaugurado durante a semana para as celebrações do centenário da PIB – iniciou em 1989. O projeto é do renomado arquiteto Luiz Forte Netto. A sede anterior tinha sido vendida. “Mas aí veio o Plano Collor em 1990 e o dinheiro que tínhamos ‘sumiu’”, conta Paschoal. O plano bloqueou o valor de contas correntes e poupanças.

Após muitas dificuldades financeiras, a igreja seguiu a construção do templo. Mas não deixou de investir em atividades. “Esse foi um fator que fez a obra demorar. Elaboramos muitas ações ao mesmo tempo em que tocávamos a construção. A igreja foi construída, sobretudo, graças ao apoio dos fiéis e de voluntários que sempre nos ajudaram”, destaca o pastor.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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