Deus criou o ser humano para se relacionar com ele e permanecer em comunhão eternamente. Entretanto o pecado contaminou a natureza humana e o levou para longe da presença de Deus. Mas Deus nunca desistiu nem deixou de amar a raça humana. Ele mesmo veio buscar e salvar o que estava perdido. No momento em que o homem pecou, Deus se tornou um missionário. Ele é “o Missionário”. O Espírito Santo está trabalhando no planeta terra no cumprimento da missão até a volta do Senhor Jesus. Ele tem uma agenda missionária para alcançar todos em todos os lugares, porque Ele morreu por todos (1 Co. 5.15). Em sua bondade e misericórdia Deus escolheu o Corpo de Cristo, sua Igreja, eu e você para alcançar o objetivo do Reino de multiplicar o número de discípulos. De uma maneira sobrenatural recebemos o Espírito Santo e, consequentemente, poder para testemunhar (Atos 1.8). Todo crente faz parte da missão. Estamos em missão com Deus. Isso significa um estilo de vida missional, ou seja, viver intencionalmente cada dia buscando fazer novos discípulos que também se multipliquem.

Quando olhamos para o movimento de multiplicação de discípulos e expansão da Igreja no Novo Testamento, encontramos o Espírito Santo no comando de toda a estratégia. Identificamos claramente que a agenda diária da igreja tinha cinco pontos básicos (princípios) que se repetiam com todos os líderes e em todos os lugares e conferiam efetividade ao objetivo da Grande Comissão (Mateus 28.18-20). Fazer o maior número de discípulos de todas as nações até a volta do Senhor Jesus era o foco e a prioridade de toda a igreja, mesmo custando a vida de alguns, prisões de outros e perseguições implacáveis. Com tudo isso a igreja se multiplicava exponencialmente. E qual o segredo? Primeiro, eles oravam sem cessar. A oração não era um evento litúrgico casual uma ou duas vezes por semana. Era um estilo de vida. A oração estava no topo das prioridades dos líderes. Segundo, naturalmente os discípulos evangelizavam e discipulavam pessoas. Eles se relacionavam e compartilhavam as boas novas nos seus relacionamentos diários. Eles também ensinavam no templo e nas casas. A evangelização discipuladora imprimia um ritmo de crescimento impressionante, pois todos estavam envolvidos e quem se convertia entrava automaticamente no processo de multiplicação. Terceiro, a plantação de igrejas era um posicionamento estratégico do Espírito Santo para fincar a bandeira do evangelho em cidades, nações e continentes. Isso é notório no livro de Atos e representa o maior movimento missionário de expansão da igreja em toda a sua história. Quarto, à medida que os discípulos se multiplicavam os líderes das igrejas investiam na formação e desenvolvimento de novos líderes visando suprir a demanda de crescimento. Quinto, inevitavelmente a multiplicação de discípulos encontrava pessoas que necessitavam de ajuda. Agir com compaixão e graça era uma marca da Igreja naqueles dias. Não havia necessitado entre eles, pois eles se ajudavam mutuamente.

Resgatar estes cinco princípios na vida de cada crente e na igreja local é o principal objetivo da visão de Igreja Multiplicadora. Também creio que seja o maior desafio em nossos dias para a sobrevivência das igrejas nos mais diversos contextos do Brasil. Não é uma proposta de modelo ou nova estrutura para a igreja local. É voltar humildemente para a Bíblia e permitir ser usado pelo Espírito Santo para cumprir o objetivo da Grande Comissão. Isso é ser igreja. Vejo o momento como decisivo para o futuro da igreja no Brasil nas próximas décadas.

Pr Fernando Brandão

Diretor Executivo da JMN