Quem nunca viu ou ingeriu uma deliciosa sopa de letrinhas? Essa pergunta me faz voltar ao tempo em que meus filhos eram pequenos e que ficavam tentando separar as letras no caldo da sopa. Era divertido. Hoje vivemos no tempo onde para cada organização ou projeto encontramos uma sigla, e vão lá as letrinhas. Letras para todos os lados. No contexto eclesiástico não consigo enumerar as siglas que já nos ofereceram para ajudar no desenvolvimento da igreja. Vou apenas citar umas poucas mais contemporâneas, como MDA, PGM e DNA, misturando-as a uma outra – CBP, que, para quem não conhece, significa: Convenção Batista Paranaense, e para quem não sabe o que é, a Convenção é a Associação das Igrejas do Paraná com a finalidade de uni-las em projetos comuns pela cooperação.
Por que chamei este artigo de sopa de letrinhas? Porque desejo externar a ideia de que podemos tomar a sopa sem ter que separar as siglas. Todas combinam entre si. Não é preciso abrir mão da CBP em favor de DNA, tão pouco de PGM por MDA e assim por diante. A beleza da sopa é justamente a diversidade das letras no mesmo caldo. Temos visto igrejas que, após decidirem por um ministério identificado por algumas letras que formam siglas e que definem um tipo de ministério, abandonam a Denominação. A meu ver, a Denominação ou uma Convenção pode agregar a todos, quando o tempero “doutrina”, do caldo, é comum. É possível tomar a sopa de letrinhas, desde que tomemos cuidado no uso do tempero. Usar com cautela a pimenta que vem temperando algumas letras dos novos “modelos” e ao mesmo tempo cuidar para que o sal exagerado do tradicionalismo e até da intolerância de uma Convenção, não venham estragar o sabor da sopa. O problema não está nas letrinhas, está no tempero. Com prudência, oração e respeito sentaremos juntos na mesma mesa, tomando ou não do mesmo caldo, mas sentaremos juntos, mesmo que alguns consigam fazer a árdua tarefa de separar as letrinhas em um canto do prato, antes de se alimentar. O que afirmo é que podemos usar de ministérios que não tenham, necessariamente, nascido nos arraias da CBP e continuar integrados denominacionalmente. Afirmo ainda que uma igreja que desenvolve tais ministérios não precisa se isolar, tampouco ser isolada. O que precisamos é conservar os mesmos princípios bíblicos e as doutrinas que nos unem. Desta forma, comemos juntos. O fato é que precisamos crescer, e o abandono, pelos batistas, do discipulado cristão é que nos tornou lentos no crescimento. Os novos ministérios trazem uma ênfase muito forte no discipulado. Isto é o retorno ao projeto bíblico para a igreja do Senhor. Não precisamos separar as letrinhas, é na multidão delas e no uso correto do tempero, que está a beleza e o encanto da sopa.

Pr Izaias Querino