Em outubro, instaurou-se uma comoção entre as lideranças batistas, em virtude dos casos de suicídios ocorridos entre os cristãos. Sobre o tema, entendo que a discussão não deve ser xada no fato de um suicida ir ou não para o céu, mas o que poderia causar tal atitude. Permitam-me dar a minha contribuição com base na interpretação feita da Parábola do Filho Pródigo, registrada em Lucas 15, quando Jesus retrata a pessoa do irmão mais velho. O que Jesus fez na parábola foi mostrar duas manei- ras de se viver a vida. A primeira, assentado na mesa do pai, desfrutando de sua mesa e compelido por sua gra- ça. Já a segunda, um religioso tentando a todo tempo agradar ao Pai (Deus) com serviços.

Dito isso, vislumbro que o irmão mais velho era um suicida naquela família. Em outras palavras, a religião ensina que precisamos ser bons e que, para alcançar essa bondade diante de Deus, temos que trabalhar muito. Por isso, o irmão mais velho usou a expressão: “te sirvo como um escravo”. É verdade que nós, cristãos, criamos algumas cor- rentes que nos prendem, cargas que nos sobrecarregam, indo além do que podemos suportar, no intuito de agradar a Deus. Percebe-se as cobranças em exagero do cristão, e muito mais, dos líderes cristãos. Em princípio parece ser correto, pois, a nal de contas “somos salvos e precisamos ser diferentes do mundo”. Contudo, uma igreja em que os crentes são submetidos a constantes ameaças e cobranças, está propiciando uma ambiência adequada para o “suicídio coletivo”.

As pessoas estão se aniquilando de tal forma que vão perdendo a alegria, entrando em depressão e le- vando alguns a anteciparem literalmente a sua morte. Quantos cristãos que há muito não sabem o que é dar uma boa gargalhada? Parece que qualquer tipo de brincadeira ou piada é um ato pecaminoso e que Deus não se agrada delas. Não há espaço para diversão com os amigos, com a esposa, lhos e netos. Estão sempre cheios de trabalho e compromissos. Estão se matando! Ao contrário de tudo isso, Jesus nos chama para uma vida na graça, de responsabilidade, mas não es- crava, pois escravo não tem alegria. Ele nos convida para festejar a alegria da salvação, porquanto “o jugo de Jesus é suave e seu fardo é leve”. Ele convidou os discípulos para repousar num “pic nic”, à parte. Assim, não creio num Jesus depressivo, semblan- te fechado, recluso, mau humorado e que só falava de trabalho. Ele ensinou a vida abundante, e esta, com certeza, contém, além da alegria de intimidade com o Pai, sorriso nos lábios, gargalhadas e diversão. Jesus foi perfeitamente humano. Ele sorriu.
Muitos dos nossos sofrimentos têm cura e libertação na mesa do Pai, a qual é manifestada pela graça. Se é graça, não tem preço. Não há cobranças que matam e escravizam. Precisamos distinguir a diferença entre vida escravizada pelo serviço e a vida de serviço alegre. Que Deus nos ajude.

Izaias Querino

Diretor Geral da CBP