Ao iniciar qualquer diálogo, Sócrates dizia: “Se queres conversar comigo, define tuas palavras”. Então, para início de reflexão, definamos as palavras. Unidade: “Caráter do que é um, único, daquilo que forma um todo”; “Grandeza tomada como termo de comparação com grandezas da mesma espécie” ou “Acordo, harmonia entre pessoas”. Diversidade: “Variedade, pluralidade, diferença”; “É um substantivo feminino que caracteriza tudo que é diverso, que tem multiplicidade”; “Reunião de tudo aquilo que apresenta múltiplos aspectos e que se diferenciam entre si”. Uma das mais belas e ricas experiências de ser Batista é exatamente nossa diversidade, que abre o caminho para nossa unidade. Havia um tempo entre nós, Batistas, e já vai longe, em que todas as Igrejas locais tinham um certo “comportamento padrão”: Escola Bíblica Dominical e culto da manhã, culto da noite às 20h, cultos de oração toda quarta-feira; órgão e piano, Cantor Cristão, uniões de treinamento. Isso revela que havia “unidade de comportamento eclesiástico”. No entanto, necessariamente isso não seria afirmar que entre nós havia unidade de pensamento e teologia. A unidade ultrapassa os limites do “comportamento do grupo”. A diversidade nos ajuda a pensar, fazer e atuar em diversas frentes, quer na vida missionária da Igreja, quer na sua atuação em favor do próximo, e assim por diante. Uma figura que talvez defina bem nossa unidade e diversidade é a orquestra; que é, ao mesmo tempo, diversa e una. São variados os seus instrumentos, que nos revelam diversidade, mas na leitura da partitura, liderada pelo maestro, executa com brilho e harmonia a música, demonstrando unidade. Como anda hoje nossa unidade neste ambiente de diversidade? Não somos mais aquele povo que celebra do mesmo jeito, na mesma hora, com os mesmos instrumentos. Mas somos os mesmos que adotam as Escrituras como única regra de fé e conduta, que crê no sacerdócio de todo salvo, que aceita o sacrifício de Jesus Cristo como completo para nossa salvação, e outras coisas mais. E são estes postulados que nos dão unidade, mesmo sem fazer as mesmas coisas do mesmo jeito. O ilustre, único e legítimo apóstolo do Novo Testamento, Paulo, nos convoca a uma vida de unidade, segundo ele, “De maneira digna da nossa vocação” e, ao mesmo tempo, nos conclama a andarmos juntos, até porque a vida cristã não pode ser uma caminhada solitária, na experiência de um eremita. Em Efésios 4.1-3, Paulo nos chama a uma vida de relacionamento em unidade, o que requer de cada crente a presença do fruto do Espírito em sua vida. Usando a analogia do corpo humano, Paulo novamente nos ensina que formamos um só corpo (I Coríntios 12.12-31), temos um só Espírito que habita em nós e leva-nos à consciência e compreensão de pertencermos ao Senhor. Com certeza, se celebramos nossa unidade dentro dos padrões aprendidos na Palavra de Deus, poderemos proclamar nossa fé, nossa prática e nossa conduta, apesar de não fazermos as coisas da mesma maneira.