O Brasil inteiro se coloca diante da expectativa de que decisões importantes sejam tomadas nestes dias. São decisões no campo político/jurídico que afetarão a vida de todos os brasileiros e não se limitam ao presente, mas certamente hão de repercutir no futuro. Ao pensarmos em decisões que precisam ser tomadas, especialmente no contexto de circunstâncias difíceis, vem-nos à memória a experiência vivida pelo apóstolo Paulo e seus companheiros, na região da Ilha de Creta, Mar Mediterrâneo, quando se dirigiam a Roma. Paulo iaomo prisioneiro para comparecer perante César. Diz-nos Atos: “E, como por muitos dias navegássemos vagarosamente, havendo chegado apenas defronte de Cnido, não nos permitindo o vento ir mais adiante, navegamos abaixo de Creta, junto de Salmone. E, costeando-a dificilmente, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laséia. E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, pois, também o jejum já tinha passado, Paulo os admoestava, dizendo-lhes: Senhores, vejo que a navegação há de ser incômoda, e com muito dano, não só para o navio e carga, mas também para as nossas vidas” (At 27.7-10). O episódio narrado no texto deve ter ocorrido ao redor do mês de outubro – mês do jejum da Expiação. Era uma viagem tormentosa. Penosamente chegaram a “Bons Portos” (v. 8) e Paulo advertira sobre o grande perigo que haveria em continuar a jornada, sob aquelas condições adversas. Advertência é inspirada pelo Senhor a quem ele servia.

Porém, o verso 11 nos informa que “O centurião dava mais crédito ao timoneiro e ao mestre do navio do que ao que Paulo dizia” (At 27.11). Ainda que tivesse a exata percepção da gravidade daquele momento, o apóstolo não tinha poder de decisão, não possuía a última palavra, posto que não era o chefe do barco. O chefe era um centurião romano, ao que tudo indica, um homem pagão. Não tocava o mesmo diapasão de Paulo e não podia estar afinado ao que ele dizia. O Brasil é um imenso barco, em que todos estamos. É preciso navegar, barco foi feito para isso. Não foi feito para ficar em segurança no porto. Entretanto, quando sopram ventos contrários, como agora; quando rugem tempestades severas, decisões impactantes precisam ser tomadas por aqueles que têm a responsabilidade de comandar a nave e que deveriam fazê-lo, sob a orientação divina. São vidas e não apenas bens que estão em jogo. Quando, na ocorrência em comento, a situação saiu do controle e o naufrágio se tornou inevitável. Paulo viu cumprir-se a promessa de que não se perderia nenhum daqueles que com ele estavam. Era a sinalização clara de que não fora abandonado por Deus, como também não foram os que seguiam com ele, muitos dos quais também servos do Deus Altíssimo. Assim, nesta hora desafiadora, em que o barco da Pátria pode soçobrar nas águas escuras da história, é imperioso que os nossos governantes convertam-se dos ídolos ao Deus único e verdadeiro (I Tes 1.9) e, revestindo-se de Jesus Cristo, acertem as suas vidas com Ele. Percebam que precisam tomar decisões divinamente iluminadas, porque não lhes pertence a última palavra, mas Àquele que é fonte de toda a sabedoria e poder. A Ele se sujeitem, enquanto há tempo e oportunidade.

Edgar Silva Santos, Pastor da Primeira Igreja Batista de Jardim Mauá, em Manaus