Si?ndrome de Peter Pan – Crescer e? necessa?rio

Peter Pan e? um rapazinho que morava na Terra do Nunca. Aquele menino despreocupado, que se re- cusava a crescer, e isso e? demonstrado no dia?logo de Peter Pan com a professora senhora Darling:“Peter: ‘Voce? me poria na Escola?’. senhora Darling (amavelmente): ‘Sim’. Peter: ‘E depois eu teria que trabalhar?’. senhora Darling: ‘Acho que sim’. Peter: ‘Logo eu seria um homem?’. senhora Darling: ‘Logo, logo’. Peter (com e?nfase): ‘Na?o quero ir para a escola, e aprender nada se?rio. Ah minha senhora, ningue?m vai me pegar e transformar em gente grande. Eu quero ser sempre um menininho e me divertir’”.

Dan Kiley, em seu livro falando sobre a Si?ndrome de Peter Pan, diz que e? um estado de imaturidade emocional que comec?a com ansiedade e narcisismo e termina em desespero. E? um feno?meno sociopsicolo?gico detectado principalmente em homem que, embora tenham atingido a idade adulta, sa?o incapazes de encarar os sentimentos e as responsabilidades de adultos. No esforc?o de esconder seus fracassos, recorrem ao fingimento e a? falsa alegria. E? a si?ndrome do homem que na?o quer crescer, ou medo de crescer, medo de assumir responsabilidade, medo de sofrer. A pessoa assim foge dos relacionamentos para na?o se ferir e, consequente- mente, tem poucos amigos.

Na verdade, Peter Pan era um rapaz muito triste, sua vida era cheia de contradic?o?es, conflitos e confusa?o, seu mundo era hostil e impiedoso. Seu desejo de permanecer jovem era uma verdade ri?gida, recusa a amadurecer. No final do se?culo XX e o ini?cio do XXI percebemos na sociedade uma gerac?a?o de homens que se recusam a assumir suas responsabilidades e, consequentemente, encarar a vida do jeito que ela e?. Querem viver de maneira dissoluta e sem preocupac?o?es com nada. Mas a vida na?o e? assim.

Muitos crista?os sa?o assim, na?o querem crescer e amadurecer espiritualmente, e sofrem de depressa?o e vivem com a sensac?a?o de vazio. Paulo, escrevendo a? Igreja de Corinto, afirmou: “E eu, irma?os na?o vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo” (I Co 3.1). Uma comunidade crista? que na?o tinha cresci- do, na?o tinha amadurecido e que para Paulo havia uma impossibilidade de trata?-los como pessoas crescidas e amadurecidas em Cristo Jesus. A maneira como viviam na?o refletia uma vida madura, transformada, capaz de compreender os propo?sitos e as questo?es da vida. Eram crianc?as, homens infantili- zados, mimados, irresponsa?veis.

Darcy Dusilek escreveu: “O novo ser em Jesus Cristo tem sobre si o imperativo do crescimento. Na?o se trata de uma opc?a?o, mas de um imperativo. O na?o crescimento na nova vida em Cristo e? como na vida fi?sica, e? um sinal de anormalidade”. Crescer e? necessa?rio, na?o vivemos em um mundo de fantasias em que tudo da? certo do jeito que se imagina. Um mundo sem responsabilidade, sem mudanc?a de comportamento, em que tudo gira em torno de si. Pedro termina sua segunda carta dizendo: “Antes, crescei na grac?a e no conhecimento do nosso senhor e Salvador Jesus Cristo” (II Pe 3.18). Crescer significa compreender que cada um de no?s tem responsabilidades e que poderemos passar por va?rias tribulac?o?es, mas com a plena certeza que ja? somos mais do que vence- dores.

A tristeza e? que cresce cada vez mais o nu?mero de crentes tipo Peter Pan, que na?o querem crescer, conhe- cer, assumir responsabilida- de, querem apenas um lugar para chamar de “Terra do Nunca”, onde tudo e? possi?vel. Mas sinto muito dizer, mesmo que doa: Crescer e? necessa?rio.

Genivaldo Antonio da Silva, pastor da Primeira Igreja Batista em Avare? – SP

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