Sabemos o quanto uma pessoa influencia outra em sua caminhada. Em relação à esposa do pastor, não é diferente. O pastor tem destaque natural na Igreja, e quando, ao lado desse homem, há uma mulher que o apoia, certamente o ministério pastoral será influenciado por ela e será abençoado.

Um detalhe, porém, nem sempre é percebido: a vida da esposa do pastor como mulher, sua individualidade, sonhos, conquistas, realizações. Às vezes, o casal pastoral é visto de forma tão coesa que muitos pensam que tudo o que é bom para um é bom para o outro também. Será? Às vezes, sim, mas nem sempre.

O casal é constituído de duas pessoas que compartilham desejos, sonhos e realizações, mas continuam sendo duas pessoas. Cada uma com sua especificidade, como gosto de destacar. O pastor está sempre em mais evidência, e a esposa – em algumas realidades – fica mais voltada para um trabalho específico na Igreja, muitas vezes nos bastidores. Hoje quero destacar essa mulher, a esposa do pastor, em sua vivência nos bastidores do ministério pastoral, o que vê e vive essa mulher tão especial para nós.

A vida nos bastidores

Gosto do seguinte pensamento: Deus procura mulheres fortes para serem esposas de pastores. Por que será? Ele conhece as especificidades do ministério pastoral, e nem todas as mulheres conseguem dar conta das exigências externas e internas do ministério.

Afinal, quem é essa mulher? Uma mulher com todas as questões, sonhos, desejos e idealizações que todas as outras mulheres possuem. O que a diferencia é ter abraçado, com seu marido, o ministério pastoral. Aqui está o ponto principal: o ministério.

Ela deverá conseguir unir em sua caminhada diária todas as questões referentes a sua vida como mulher e mais as atribuições e papéis que se esperam da esposa de um pastor. Isso porque, no imaginário de muitas pessoas, idealiza-se um tipo especial de mulher para ser esposa de pastor. Elas esperam um comportamento de acordo com aquilo que idealizaram. O tempo passa e a sociedade se modifica, mas esse ideal permeia o imaginário da Igreja.

Ao ver uma esposa de pastor à frente de alguma liderança, ficamos empolgados, mas nem sempre pensamos que a sua jornada de trabalho fora e dentro de casa é grande, pois fazem parte de sua vida: aconselhamentos, eventos, liderança de ministérios, acompanhar o esposo em seus afazeres pastorais, trabalhar durante a semana toda e no fim de semana também, às vezes, até mais, renunciar ao tempo com seu marido, pois ele precisa estudar para preparar sermões, precisa resolver questões referentes à Igreja que pastoreia, e essas demandas chegam a qualquer momento, seja noite, seja dia.

Além disso, a esposa do pastor – nos bastidores – lida com os mais diversos tipos de pessoas que fazem parte da Igreja: as controladoras, que querem influenciar a todo custo a vida ministerial e pastoral na Igreja e, às vezes, até no âmbito familiar; pessoas extrovertidas demais;

Outras, tímidas demais, tristes, deprimidas, aquelas que não se importam com o que acontece na vida da Igreja, os irmãos que insistem em continuar fazendo as mesmas coisas anos e anos seguidos, outros que a todo instante aparecem com ideias mirabolantes e insistem que são excelentes, idosos que se sentem preteridos pelos jovens, jovens que se sentem preteridos pelos mais velhos, pessoas que se sentem insatisfeitas com o andamento da vida da Igreja e começam a minar relacionamentos; outros que amam e admiram tanto o pastor e sua família que acabam lhes causando certos constrangimentos…

Graças a Deus que, em meio aos extremos, existem aqueles que em boa medida cuidam e compartilham da companhia do pastor e de sua família de maneiras especiais e abençoadoras. Quantas situações essa mulher vive nos bastidores! Ela precisa de amor e cuidados.

Demonstre amor! Cuide de quem cuida de você!

Neste tempo que estamos vivendo, quando todas as famílias foram afetadas direta ou indiretamente pelas consequências da pandemia da COVID-19, a família pastoral não ficou de fora. A esposa do pastor, independentemente de estar nos bastidores ou à frente de uma liderança na Igreja, esteve e está diretamente vivenciando as mais diversas situações que se apresentam no exercício do ministério pastoral.

Ela teve e tem que lidar com os afazeres de seu marido e administrar seus sentimentos e emoções diante de tantas realidades doloridas. O pastor e sua esposa têm um maior conhecimento e informações sobre os acontecimentos referentes aos membros da Igreja do que os demais líderes, por isso, a carga emocional acaba sendo maior para eles. Isso deve ser motivo de oração de todos em favor da família pastoral.

E quando o pastor falece, como fica essa mulher que se torna viúva? A Igreja perde o seu pastor, mas a mulher perde seu marido, seu companheiro de vida, sua identidade como esposa do pastor. Essa mulher, além de lidar com a dor da perda do seu amado, acresce a essa perda a outras tantas. É natural que, passado um período, a Igreja procure um novo pastor. E como ficam essa mulher e sua família? Ela tem casa e salário? Quantas aflições essa mulher passa a vivenciar em tão pouco tempo. Ela e seus filhos precisam de cuidados.

Todas nós, mulheres cristãs em missão, precisamos ter um olhar mais sensível para essa nova realidade que algumas esposas de pastores estão vivendo. Torne-se sensível à voz do Espírito Santo e demonstre amor e cuidado para com a mulher que Deus colocou ao lado do seu pastor. Peça a Deus que lhe dê uma boa estratégia para chegar até ela e demonstrar o reconhecimento e o amor que o Senhor tem colocado em seu coração. Tenho certeza de que ela precisa desse carinho. Cuide dessa mulher, que, como todas as outras, deseja ser amada, protegida e se sentir segura.

A esposa do pastor é uma bênção para o seu marido, para a Igreja e para o Reino de Deus. É bênção porque, antes de tudo, tem alegria em ser uma mulher comprometida com Deus. Ela procura estar ligada à videira, pois sabe que sem Jesus nada pode fazer (João 15.5).

Ligada à videira, ela se mantém abundante e saudável em todas as dimensões de seu viver. Ela e todos os que por ela passam sentirão o agir de Deus em sua atuação nos bastidores do ministério pastoral.

Lúcia Cerqueira, psicóloga clínica

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