Entre permanências e movimentos a única coisa permanente é a mudança.
Heráclito (500aC)

Olhando pela janela da história batista no Brasil é fácil detectar que as Escolas Bíblicas, nos seus mais diversos formatos, são uma permanência. Esta permanência acaba por marcar de forma indelével a nossa identidade enquanto batistas.

Entre permanências e movimentos a única coisa permanente é a mudança.
Heráclito (500aC)

Olhando pela janela da história batista no Brasil é fácil detectar que as Escolas Bíblicas, nos seus mais diversos formatos, são uma permanência. Esta permanência acaba por marcar de forma indelével a nossa identidade enquanto batistas.

As mudanças históricas e de características sociais levaram muitas de nossas Igrejas a buscarem formas diversas para atender a esta demanda. Nessa procura adaptaram-se formas para que os elementos centrais do ensino da Palavra pudessem ter continuidade. Desta forma imprimiu-se uma dinâmica nova a elementos que datam de séculos. Algumas demandas presentes nas mudanças da sociedade humana carecem de uma reflexão a fim de que as Escolas Bíblicas tenham sua relevância preservada no mundo atual. Bom, mas como mudar respondendo à sociedade atual sem perder de vista a imutabilidade da Palavra de Deus?

Se a Palavra de Deus não muda, assim como o próprio Deus, os questionamentos que precisam ser respondidos pelo povo de Deus sofrem mudanças constantes. Os cristãos precisam saber como usar a Palavra de Deus para responder a estes problemas. Logo, aqui gostaria de propor a primeira característica de uma Escola Bíblica para este tempo que é a contextualização e aplicabilidade da palavra no cotidiano do aluno. Precisamos estar “sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” I Pe 3:15. Não basta ensinar a bíblia, é preciso aplicar. Não basta decorar versículos, é preciso observar o jornal do dia, a notícia e aplicar aquilo que está sendo ensinado diretamente na realidade em que vivemos.

Isso nos leva à segunda proposição. Precisamos nos abrir a classes por interesses, classes que reflitam a necessidade e a peculiaridade de cada estudante. Para que esta ação seja produtiva é preciso ouvir os alunos e buscar temas relevantes para cada um. É necessário compreender que a bíblia tem que continuar sendo a tônica central do projeto, mas direcionada aos interesses que caracterizam os diversos irmãos que se deslocam dominicalmente à igreja.

Nesta mesma linha gostaria de propor outra linha de ação para uma Escola Bíblica relevante para o nosso tempo, estudos que levem ao desenvolvimento de uma espiritualidade capaz de impactar aqueles que nos cercam. Não se trata de estudar lições, trata-se de levar a pessoa a se encantar com Jesus Cristo e seu poder transformador. Escolas Bíblicas também devem ter momentos de espiritualidade. É preciso esquecer a frase: “tenho que vencer a lição”. E se você precisar de um ano para vencer um conteúdo? Se isso fizer diferença na vida de seus alunos, não é o que deveria ser priorizado?

Por fim, gostaria de propor uma última questão a ser observada para uma Escola Bíblica capaz de transformar a vida da Igreja, a possibilidade dela se tornar o espaço formador da futura liderança eclesiástica. A Escola Bíblica deve abrir-se também a classes que atendam à formação da nova liderança de nossas Igrejas. Classes temáticas voltadas às áreas de necessidade da Igreja local. Classes voltadas aos irmãos que atuam no louvor, na diaconia, no evangelismo, nos grupos de discipulado, na intercessão, são exemplos de classes capazes de atender a demanda de liderança da Igreja Local. Desta forma a Escola Bíblica se assume como o espaço privilegiado da ação da educação cristã na Igreja local. Um papel que cabe muito bem na sua ação eclesiológica.

Pr. Nilton Maurício Torquato – Teólogo, historiador, professor de Escola Bíblica na I.B. Boas Novas – Curitiba

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