“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; a fim de que o homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar toda boa obra” (II Tm 3.16,17).

A sociedade atual vive diante de uma crise constante e uma inquietude profunda. Seja por questões políticas, econômicas, psicológicas, físicas ou de quaisquer outras dimensões. Ao pensar a condição humana fazemos perguntas sobre o mundo e o nosso lugar nele. Contudo, a Bíblia continua atemporal e inabalável. Ela é o diálogo proposto por Deus e a prática de leituras mais profundas e direcionadas vão confrontar o cotidiano nos dando autonomia e confiança para enfrentar as realidades e viver a práxis cristã verdadeira.

O fato é que o amor se esfriou e o mundo age no mal (Mateus 24.12; 21.12; I João 5.19). Por isso, temos a impressão de que tudo pode desabar em um piscar de olhos. Nossas crenças, nossos sonhos e nossos ideais escorrem pelos dedos como se não fosse possível ter esperança.

Muitos negam completamente a existência de Deus e perguntam: Onde está Deus, enquanto a pandemia mata 2800 pessoas por dia: Onde está Deus enquanto a economia brasileira sucumbe? Onde está Deus para defender o menino encontrado dentro do latão? Onde está Deus? Todo cristão sabe que Deus permanece exaltado em Seu trono (Salmos 47.8).

Na perspectiva integral do ser humano, fomos criados inicialmente para que vivêssemos em harmonia através de um relacionamento interpessoal e profundo com Deus, consigo mesmo, com o outro e com a natureza (Gênesis 2.7; Salmos 19.1). Mas, uma vez desumanizados pelo pecado, nos afastamos dEle (Romanos 6.23).

De três formas, Deus se manifestou a nós (Romanos 1.19): na criação (João 1.3; Atos 17.24; Apocalipse 22.13); na encarnação (João 1.1-15; Filipenses 2) e na revelação pela Sua Palavra (II Pedro 1.21; João 14. 15-17,26). Ele nunca desistiu, porque Seu desejo mais profundo é que cumpramos o propósito para o qual fomos criados, o de adorá-Lo para sempre (Romanos 11.36; João 1.1,11; Isaías 45.5; Mateus 4.10; João 4.24).

Na carta que Paulo escreveu a Timóteo, ele revela vários problemas que afetavam diretamente os cristãos em Éfeso. Estes estavam vulneráveis a falsas doutrinas de homens que se autodenominavam “Doutores da lei” e utilizavam-se de lendas judaicas apócrifas e genealogias para causar divisões no meio da Igreja (I Timóteo 1.3-7). Paulo comissionou e advertiu Timóteo quanto às atitudes a serem tomadas para que aqueles homens não perecessem sendo condenados ao inferno.

Paulo afirma que Timóteo desde pequeno sabia as sagradas letras (II Timóteo 1.5) e destaca a importância do ensino na infância. Diz o texto que sua avó, Lóide, e sua mãe, Eunice, o orientaram neste sentido e dentro dele vimos brotar um amor profundo por Deus e pelas pessoas no cumprimento do seu chamado (II Timóteo 1.5). Precisamos despertar para ensinar os pequeninos, fortalecer e embasar as futuras gerações através dos ensinamentos bíblicos.

Uma vida de intimidade e comunhão Deus afastará toda a dúvida quanto ao Seu poderio, por que tudo está debaixo do Seu controle e acontece pela Sua vontade (Salmos 46.10). Cabe ressaltar que a Bíblia é Inspirada pelo Espírito Santo; Deus não é autoritário e permitiu a nossa participação.

Para Konings (2002, pg.19): “Ela é um diálogo. E vindo de longe ressoa como palavra,” precisamos aprender a lê-la pelo nosso contexto cultural e local e pela iluminação do Espírito Santo sempre presente em todos os tempos e eras (João 14.26; João 16.13; Efésios 1.17). Desta forma, aplicar sua mensagem a fim de produzir salvação pela compreensão e ressignificação do conhecimento, na construção do entendimento humano, para a sabedoria e liberdade (João 8.36).

A Bíblia, depois de escavar o passado, confundir os estudiosos e ser venerada e rejeitada assume lugar prioritário em nossas vidas. Este livro fala com autoridade para ressignificar a nossa história através desta leitura dialogal que desperta em nossa consciência um “encontro” com Deus. Encontro que não manipula nem diminui nossa capacidade crítica, mas transforma de maneira comprovada tudo dentro de nós e ao nosso redor, nos habilitando para toda boa obra.

A Bíblia se apresenta atemporal e tem direito de falar a história dos homens por que é o principal instrumento de (trans)formação (Romanos 12.2) para a construção do nosso mundo interior e exterior no caso do homem que se submete à vontade do Pai (Mateus 6.10).

Danielle Viana de Oliveira de Souza, associada da Associação de Educadores Cristãos Batistas do Brasil, educadora cristã voluntária na Primeira Igreja Batista na Califórnia, em Nova Iguaçu-RJ; pedagoga, teóloga e escritora; especialista em Avaliação Educacional; professora do Seminário Livre Rhema, RJ.

Bibliografia:

KONINGS, Johan. A Palavra se fez Livro. 2ª edição. São Paulo: Edições Loyola, 2002.
https://www.bibliaonline.com.br/ara/ (acesso em 20 de março de 2021)

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