Quando nos reunimos com os professores da EBD, sempre pensamos na necessidade de mudanças e aperfeiçoamento. Mas, como fazer isso sem impulsionar inovações, sem desmerecer o que já foi feito até então? Isso é o que muitos educadores estão buscando, atualizar o sistema, a metodologia e o alcance da EBD.

Na minha experiência pessoal busquei apresentar a ferramenta para meus professores e mostrar que ela poderia nos dar alguns indicativos de pontos a melhorar e aperfeiçoar. Inicialmente, não percebi que eles viam necessidades de tantas mudanças quanto eu, educadora. Mas, se não fizermos um autoexame, como desejar as mudanças?

A Matriz SWOT é uma ferramenta clássica de gestão que pode ser usada nas organizações de maneira geral. É simples, mas estrategicamente inteligente. A palavra é uma sigla que, em inglês, significa S= forças, W= fraquezas, O = oportunidades e T= ameaças. Busca mostrar as forças e fraquezas da organização, bem como as oportunidades e ameaças do ambiente externo à organização.

Para um grupo de Igreja como o meu, pensar e refletir a prática não são atitudes comuns. Ouvir críticas do trabalho feito e ter que se movimentar do lugar onde está para buscar novas práticas não é fácil. Afinal de contas, “sempre fizemos dessa maneira e deu certo, por que mudar?”

Mas, queremos que o ensino cristão tenha alto significado na vida dos nossos alunos, que a leitura bíblica seja constante nos lares, que a vida das pessoas seja transformada pela Palavra ensinada e vivida por seus professores.

Por isso, propus-me a trabalhar a matriz SWOT com o meu grupo de professores da EBD, que chegou às seguintes conclusões iniciais:

Quanto a participação de cada um – “faz bem pensarmos juntos, traz alegria, renovação e conhecimento das outras pessoas; é bom poder analisar os pontos fortes que devemos manter e melhorar os fracos; faz-nos ter um olhar crítico ao nosso desempenho, aos desafios e como poderemos lidar com eles; experiência válida; me senti desafiado. É importante visualizar as oportunidades que surgem para auxiliar-nos na obra e precisamos aproveitá-las; me sinto bem quando me é permitido opinar, sugerir, compartilhar as dificuldades; motivada, pois tivemos que olhar além do olhar de professor…fazer um mapeamento dos problemas e chegar às melhorias necessárias é muito importante”.

Quanto à participação dos outros do grupo – “Vejo-os como inteligentes, rápidos e construtivos; alguns foram mais participativos do que outros, talvez por não compreenderem bem a proposta ou por receio de não saber opinar de maneira correta; ideias interessantes e possíveis de se aplicar; a presença dos irmãos nos motiva, a experiência de cada um quando compartilhada enriquece os outros; foi uma reflexão objetiva das metas e propósitos – como poderemos alcançá-los e o aprendizado constante que precisamos nessa caminhada; ouvir os outros amplia a nossa percepção das coisas, até mesmo das discordâncias”.

Quanto à finalidade da análise: “Vamos chegar com mais facilidade à compreensão dos problemas, sua solução e aulas de qualidade; atender às necessidades de nossa Igreja; estágio onde poderemos eleger, utilizar e aplicar mais assertivamente os recursos disponíveis, proporcionando conteúdo de qualidade; poderemos implementar mudanças tendo um ‘mapa’ das causas – melhorias e capacitação dos professores; EBD mais rica em conhecimentos, participação e evangelização; vamos fazer a nossa parte e Deus dará o crescimento; vamos melhorar muito, a obra é do Senhor e dele também os recursos”.

Dessas respostas, pude concluir, nesse primeiro momento, que:

  • O meu grupo gostou de participar da análise da organização EBD, deu-lhes sentimento de pertença;
  • O meu grupo aprende na interação com os outros, mesmo em processos avaliativos;
  • O meu grupo demonstra fé em mudanças significativas com resultados na vida de todos.

“O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria” (Ec 9.10 – NVI).

Moema Crisóstomo Guimarães Vargas, educadora cristã e mestre em Educação; membro da Igreja Batista Ágape – SP